Cidades
A dif�cil sa�de de quem mora na periferia
FELIPE FARIAS A dona de casa Josiane Jacinto da Silva, de 17 anos, mora na quadra D do Conjunto Freitas Neto, há três anos, mas sempre que precisa de atendimento médico diz ser obrigada a procurar uma unidade no conjunto vizinho, o Benedito Bentes, onde só chega após uma hora, entre o trajeto de ônibus e a pé. Ainda assim, conta que conseguiu fazer exames pré-natais quando estava grávida do filho, Davi Humberto, hoje com oito meses. Foram apenas três pré-natais, enquanto o recomendável são seis. ?Aqui não tem posto de saúde, nem carro para levar, quando a gente precisa?, reclama, referindo-se à alternativa, quando o caso é de urgência. Segundo as moradoras, às vezes é preciso recorrer às unidades móveis de resgate do Corpo de Bombeiros, para ir de um conjunto a outro. Esses, porém, não são os únicos transtornos dos moradores do conjunto situado na distante periferia do bairro Benedito Bentes, pelo menos trinta quilômetros do centro de Maceió. Segundo Amara Maria da Silva, de 36 anos, mãe de cinco filhos e moradora da quadra L-2, para conseguir marcar uma consulta é preciso chegar ainda de madrugada ao posto, se submetendo aos riscos com segurança e a ficar parte da noite ao relento. ?Como eu não tenho com quem deixar meus filhos, tenho de levá-los todos comigo. É um guarda-chuvas só para todo mundo?, conta. E para Amara, as idas ao posto do conjunto vizinho têm sido freqüentes por causa da asma da filha Claudimar, de dois anos. Como os vizinhos, Amara foi transferida da favela Sururu de Capote, no Dique Estrada. Mas, apesar de terem recebido as casas, os moradores criticam a distância do centro e dos locais de trabalho em potencial e da falta de estrutura do residencial, dotado de vias de acesso e infra-estrutura básica, mas carente de unidades como o posto de saúde. As moradoras dizem que alguns conjuntos vizinhos têm o Programa Saúde da Família. ?Mas só é atendido quem for cadastrado?, reclama uma vizinha de Amara. É que pelas re-gras do programa, o atendimen-to é restrito às famílias que fo-ram cadastradas. Esse procedimento é justificado como forma de garantir o controle do quadro de saúde da população atendida, que é um dos objetivos do programa. Mas os usuários da rede de saúde de comunidades que não possuem o programa e recorrem às unidades das que são atendidas reclamam que, por causa disso, acabam prejudicados por não dispor do atendimento. Em Maceió, existem 47 equipes do PSF em atividade, mas, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, até o fim do ano, mais doze equipes serão criadas. O Conjunto Freitas Neto está para receber um posto de saúde. Entretanto, elas questionam se a estrutura vai dar conta da demanda. ?Queremos saber se vai ter médico?, diz Josiane.