Cidades
Modelo de municipaliza��o deixa Sa�de em xeque
FELIPE FARIAS Com a conclusão do processo de municipalização, há dez anos, a rede municipal de saúde em Maceió assumiu todo o atendimento da chamada atenção básica, que inclui consultas de especialidades como pediatria, obstetrícia e clínica médica, prestados nos 59 postos que são administrados integralmente pela Prefeitura de Maceió. Mas, em muitas comunidades, a população da capital ainda sofre com as chamadas doenças da pobreza, como tuberculose ? uma incidência 38,4 por cada 100 mil habitantes ? diarréia, esquistossomose e hanseníase. A falta de postos de saúde, de medicamentos e de médicos também é reclamação constante. ?A atenção básica foi esquecida no país. E Maceió não foge à regra?, critica a presidenta do Sindicato dos Médicos, Edilma Barbosa. Mas para a coordenadora do Núcleo de Saúde Pública (Nusp) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Sônia Maria Souza Cavalcanti, é inegável o avanço em certos setores da saúde. ?É preciso reconhecer que o muni-cípio conseguiu aumentar sua oferta de serviços de saúde, sobretudo de 93 para cá?, registra. Ao longo desse período, de acordo com Sônia, Maceió conseguiu conquistar números significativos no combate à mortalidade infantil, em boa parte por causa do Programa Saúde da Família (PSF), que, segundo ela tem dado respostas aos problemas do setor em todo o país. Filariose Um dos que obteve maior sucesso foi o da Eliminação da Transmissão da Filariose Linfática, doença que provoca deformações nos membros que são conhecidos de modo popular como elefantíase. Desenvolvido pela Ufal, com o apoio de organismos internacionais como Organização Pan-Americana (Opas) e Mundial da Saúde (OMS), o programa reduziu a incidência de 5,8% para menos de 0,1%, em pouco menos de dez anos e hoje, seu coordenador, Gilberto Pontes, presta consultoria a outras capitais. ?Entretanto, ainda existe deficiência no acesso a algumas especialidades, porque Maceió também tem de atender à demanda do resto do Estado?, ressalva a coordenadora do Nusp. O resultado disso é a sobrecarga tanto das unidades estaduais quanto do próprio município. O exemplo mais destacado é o da Unidade de Emergência, ligada à rede estadual, mas que sofre porque tem de atender pacientes que são de responsabilidade do município.