Cidades
Alagoas � exportador de m�o-de-obra escrava
FÁBIA ASSUMPÇÃO De acordo com a Coordenação da Pastoral da Terra (CPT) existem hoje no país 25 mil pessoas submetidas à situação de trabalho escravo. Apesar de não haver estatísticas oficiais, Alagoas é apontado como um dos três estados nordestinos ? ao lado do Piauí e do Maranhão - que mais exportam mão-de-obra escrava. Este ano, as batidas dos Grupos de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertaram 1. 361 trabalhadores em regime de escravidão nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. Nessas batidas não é raro encontrar alagoanos. Em maio, 44 agricultores do município de São José da Tapera foram resgatados numa fazenda em Rio Preto, São Paulo. Segundo relato dos ?libertos?, eles ficavam alojados em um rancho, em condições precárias, dormindo em colchões finos e no frio. Além disso, o que recebiam pelo serviço prestado não dava para pagar o alojamento e a comida oferecida pelo próprio contratante. Em junho, entre 120 pessoas libertadas em quatro fazendas em Campo Novo do Parecis, a 400 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso, parte era de Alagoas e outra do Maranhão. De janeiro até o início deste mês, o Núcleo de Fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) registrou a saída de 4.354 trabalhadores rurais alagoanos para se empregar em outros Estados, principalmente em Mato Grosso, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.