Cidades
Desvio na Sa�de teve ajuda, dizem t�cnicos
FELIPE FARIAS A falta de pessoal qualificado para operar o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem) pode fazer com que se repitam ? em outros órgãos ? os mesmos problemas que resultaram no desvio estimado em R$ 3,5 milhões da Secretaria de Saúde (Sesau). A opinião é de técnicos que participaram da implantação do Siafem no Estado, no fim da década de 90, a um custo de R$ 2 milhões mais outras parcelas mensais, quando, segundo eles, Alagoas serviu de ?cobaia? para o resto do país. Como a Polícia Federal (PF) se recusa a fornecer à imprensa informações sobre as investigações da fraude na Saúde, a GAZETA consultou técnicos especializados no Siafem. Eles alertam que o sistema, em certas áreas, está sendo operado por pessoas não qualificadas. E citam, como exemplo, a própria Sesau, em que o ex-chefe da contabilidade, Eduardo Menezes, e o diretor administrativo, Antônio Guedes, são de fora dos quadros e não receberam o mesmo treinamento para operar o sistema, como os técnicos que estão desde o início. Esses técnicos afirmam que a fraude necessariamente teve o envolvimento de mais pessoas e cobram que a investigação se estenda a servidores que operam o próprio Siafem, que, por permitir total manuseio das contas de determinado órgão por meio de uma senha pessoal ? contas de convênios ou de receitas próprias ? se constitui na principal ferramenta para exercício do poder, na prática, por seu titular, comparável ao peso político de quem o indicou. Eles denunciaram ainda que o governo cogita adquirir outro sistema de administração financeira, em substituição a ele, para implantar nos órgãos do Estado ? o que consideram um risco. Os técnicos, que pediram para não ter os nomes nem a lotação revelados, contestaram o secretário adjunto do Tesouro Estadual, Tomé Cavalcante, que justificou o fato de as transferências de recursos por meio de ofício não constarem do Siafem porque os responsáveis teriam usado o artifício do ?estorno? ? a anulação de uma operação financeira por outra de igual valor, sem alteração do saldo final. ?O gestor tem de acompanhar não apenas o saldo, mas todas essas movimentações. Além do mais, o Siafem foi elaborado para ser um panorama completo da administração, e não é apenas uma conciliação de contas, como alegou o secretário adjunto. Obrigatoriamente, toda e qualquer operação tem de ser registrada no sistema, sem exceção?, explicou um dos técnicos. Os técnicos dizem que a Assembléia não possui o sistema implantado de modo pleno, como acontece com o Congresso em relação ao seu similar. Por meio do Siafi ? o Siafem federal ? cada senador ou deputado federal pode consultar qualquer operação feita por algum órgão do governo federal, cumprindo uma das atribuições do Legislativo, que não é seguida pelo Poder congênere, em Alagoas. E lembraram que uma lei estadual exige que todos os convênios sejam registrados no sistema e acompanhados pela Secretaria da Fazenda.