Cidades
Farm�cias de centros de sa�de est�o vazias
FÁBIA ASSUMPÇÃO ?Estamos sem medicamentos?. É o que está escrito em um aviso na entrada do setor de atendimento do 1o Centro de Saúde, na Praça das Graças, Ponta Grossa, que atende em média 12 mil pessoas por mês. Na manhã de ontem, uma das pessoas que ?bateram com a cara na porta? e tiveram que voltar, mesmo doente, com dores e precisando de medicação, foi dona Girlene Duarte Lima. Como milhares de pacientes do SUS em Maceió, ela saiu de Chã de Bebedouro para ser atendida no 1° Centro, mas só conseguiu ser atendida pelo médico geral do posto, sem nenhuma medicação. ?Pior é em Chã de Bebedouro, onde o posto não tem medicamentos, nem médicos. Pelo menos aqui a gente consegue ser atendida pelo doutor?, diz com angústia Girlene, amparada pela filha. Essa é a mesma realidade do 2o Centro de Saúde, na Praça da Maravilha, no Poço ? que atende em média 10 mil pacientes por mês. Os dois Centros são gerenciados pelo governo do Estado. Com as prateleiras vazias de remédios, a população não tem outra opção a não ser lamentar. Com fortes dores no estômago, Aparecida Olegário da Silva, moradora do Reginaldo, conseguiu ser atendida no mesmo dia por um clínico geral no 2° Centro. Mas não teve a mesma sorte em relação ao medicamento receitado pela médica ? para variar, não existia na farmácia. Como não tinha dinheiro para comprar o remédio numa farmácia fora do posto, ela iria tentar o medicamento no ambulatório do Salgadinho, no Feitosa, que se encontra fechado para reforma. ?O jeito é a gente tomar chá enquanto consegue o remédio?, resigna-se a paciente. Ela diz que não tem idéia de quando vai conseguir vaga para fazer uma série de exames prescritos pelo médico. ?Eu tenho que esperar até setembro para saber se vou encontrar vaga para fazer esses exames?. Hoje a maior farmácia de atendimento a pacientes do SUS é o PAM do Salgadinho, que passa por crises cíclicas, com seus estoques reguladores de medicamento. A situação piora nos postos, justamente quando falta remédios no PAM, que presta 33 mil atendimentos ao mês. A coordenadora de Ações de Saúde do 2° Centro de Saúde, Giselda Maria Tenório Lins Auto, observa que o problema da falta de medicamentos é comum a todos os postos de saúde. Ela diz que os únicos medicamentos que nunca faltam são para os pacientes atendidos pelos Programas de Hanseníase e da Tuberculose. Giselda ressalta que a demanda por atendimento no posto é muito grande, já que chegam até pessoas do interior e de bairros distantes como o Benedito Bentes. ?Como não tem o medicamento, a gente carimba a receita e o paciente tenta consegui-lo no PAM Salgadinho ou em outro posto de saúde?.