Cidades
Projeto Volta para Casa faz AL perder 160 leitos psiqui�tricos
FÁTIMA ALMEIDA Os hospitais psiquiátricos tiveram reduzida a quantidade de leitos públicos por determinação do governo federal. A política, que tem o apoio de entidades de classe como o Conselho de Psicologia, visa estimular a ressocialização do paciente por meio do convívio familiar e da permanência na própria comunidade. Em Alagoas, foram cortados 160 leitos, numa média superior a 30 por cada instituição. O Estado tem cinco hospitais psiquiátricos, sendo um público, em Maceió, e quatro privados (três na capital e um no interior). Segundo a presidenta licenciada do Conselho Regional de Psicologia, Laeuza Farias, a medida faz parte da chamada reforma psiquiátrica, que vem acontecendo nos últimos 20 anos, intensificada a partir da Conferência Nacional de Saúde Mental de 2001. Ela informou que no início dos anos 90 o Brasil tinha cerca de 100 mil leitos psiquiátricos, reduzidos a 70 mil em 92. Hoje são aproximadamente 53 mil. Em Alagoas, ainda segundo Laeuza, havia cerca de mil leitos, reduzidos recentemente para cerca de 850. Pelos seus cálculos, cerca de 95% das pessoas hoje internadas como pacientes crônicos poderiam estar passando por terapias alternativas em casa, com acompanhamento ambulatorial ou nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), sendo internados apenas em momentos de crise aguda. Convívio familiar A diretora geral do Hospital Público Portugal Ramalho, Rosimeire Rodrigues, concorda com a tese: o paciente psiquiátrico precisa do convívio com a família e com o seu meio para se sentir melhor. ?Mesmo aqueles que são abandonados pela família, sempre querem voltar para casa?, diz. Na sua opinião, a política do governo de reduzir o número de leitos nos hospitais psiquiátricos não significa prejuízo para os hospitais, considerando que a redução dos leitos foi compensada com o aumento do valor da diária de internamento pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também não significa redução na oferta de serviços, pelo contrário, vai fomentar atendimento e serviços alternativos, importantes no processo de tratamento, a exemplo dos Caps. ?O projeto de Volta para Casa, por exemplo, dá condições à família de cuidar do seu paciente, pagando R$ 260,00 por mês para que ele permaneça no convívio familiar?, diz ela, informando que, após a vigência desta lei, conseguiu reduzir, de 27 para 19, o número de pacientes residentes do sexo masculino no hospital, e de 25 para 20 os do sexo feminino. O problema é que essa rede substitutiva dos hospitais ainda não está constituída em Alagoas. Segundo Laeuza Farias, existem apenas três Caps em Maceió, quando deveria ter pelo menos um por cada Distrito de Saúde (nesse caso seriam sete). Ela aponta, como exemplo, de carência a inexistência de Caps AD, para tratamento de dependentes químicos, e de Capsi (para tratamento de pacientes infanto-juvenis).