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Assassinato de Jos� Joaquim vira crime insol�vel

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EDNELSON FEITOSA Uma história que cheira a nitroglicerina pura, que mistura tortura de preso, armas de grosso calibre, envolvimento de policiais e impunidade, pode tornar o caso do assassinato do eletricista José Joaquim em mais uma crônica policial alagoana considerada insolúvel. Um dos que alertam para o fato é o promotor Marcos Mousinho, que em entrevista à GAZETA, fez severas críticas ao trabalho da polícia. No entender do representante do Ministério Público, a polícia tratou a morte do eletricista José Joaquim como crime comum, ignorando a repercussão do caso, inclusive junto à Anistia Internacional, que levou o fato para o âmbito mundial. Mistério Um homicídio que parecia de simples apuração, pois os suspeitos haviam sido determinados pela polícia antes mesmo de acontecer (Joaquim tinha acusado de tortura um grupo de policiais), terminou se tornando um crime insolúvel. Para o promotor, a chave do mistério é o fato da vítima ser uma pessoa humilde, sem família influente, assassinado numa vila de um bairro da periferia de Maceió. E, ainda, os principais suspeitos são policiais civis. Para Mousinho, os primeiros entraves para esclarecer o crime surgiram na perícia de local. O laudo do Instituto de Criminalística não é rico em detalhes, ou seja, não traz nenhum subsídio para o Ministério Público. Faltam os pormenores, vestígios deixados pelos assassinos do eletricista. Ele pondera, admitindo a falta de estrutura da Polícia Científica do Estado. Laudo Na semana passada, o Instituto de Criminalística (IC) entregou à Justiça o resultado do laudo comparativo nas 26 armas apreendidas com policiais civis e as cápsulas retiradas do corpo do eletricista José Joaquim, assassinado depois de denunciar que tinha sido espancado pela polícia para confessar um crime que não havia cometido. O laudo aponta que não saíram de nenhuma das armas que estão com a Justiça as balas que mataram o eletricista. Na época, a polícia recolheu 54 armas dos policiais que estavam de plantão no dia do crime, que foram periciadas pela Polícia Federal, em Brasília. Um segundo lote, com mais 54, voltou sem ser examinado pelos peritos da PF. As armas examinadas pelos peritos do IC, em Alagoas, foram apreendidas na última fase da investigação. Continua na página E2

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