Cidades
Menino acorrentado pela m�e � levado para o Projeto Sentinela
FÁTIMA ALMEIDA O Conselho Tutelar encaminhou, ontem pela manhã, ao Projeto Sentinela, o adolescente W.G., de 13 anos, que na última sexta-feira foi encontrado acorrentado em sua residência, pela reportagem da GAZETA DE ALAGOAS. Junto com ele os conselheiros levaram também seu irmão W.G., de 14 anos, que já havia sido encaminhado pela instituição ao Lar Dom Bosco, mas fugiu no último fim de semana. Os dois garotos, que segundo a mãe Cícera dos Santos Gomes e a vizinhança da rua onde moram, na Chã da Jaqueira, não freqüentam a escola, usam drogas, praticam pequenos furtos, mas também ajudam nas despesas domésticas, vendendo feijão ou recolhendo latas para vender, vão permanecer no Sentinela durante 48 horas, enquanto se consegue uma instituição para onde encaminhá-los. Há uma perspectiva de que sejam integrados ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) do Governo Federal. ?Eles não querem ir para o Dom Bosco, e não adianta forçar. Já fizemos contato com a coordenação do Peti e estamos encaminhando Dona Cícera nesta terça-feira, com todos os documentos necessários, para tentar a inclusão dos filhos no programa?, informou a coordenadora do Programa Sentinela, Palmira Caldas, após receber a família, ontem, no fim da manhã. Além dos dois garotos, Cícera tem uma filha de 12 anos, que estuda e também lhe ajuda no trabalho de vendedora ambulante de feijão. O drama de Cícera e de seus dois filhos já vêm sendo acompanhado há pelo menos dois anos pelo Conselho Tutelar, mas o máximo que se consegue é matricular os meninos na escola (que não freqüentam) e algumas passagens em instituições e abrigos. O mais novo dos irmãos já passou pelo Dom Bosco e Abrigo Luiz Pedro. Fugiu dos dois. ?Nenhuma criança é obrigada a ficar nessas instituições?, explica o conselheiro tutelar Mário Lúcio Rocha. Segundo ele, seria necessária, no Estado, uma instituição que tratasse a dependência química, mas não existe. ?Tem apenas o Portugal Ramalho, mas é difícil uma vaga e eles fazem apenas a desintoxicação. Tem que haver um tratamento muito mais abran-gente?, diz.