Cidades
Pitboys ser�o interrogados e devem ir a j�ri popular
BLEINE OLIVEIRA O juiz José Braga Neto, da 3ª Vara Especial Criminal, marcou para amanhã (25), às 16h, o interrogatório dos lutadores de jiu-jítsu Charles Alexandre França Moura, o Charlão, Leandro Albuquerque Ferro, o Leleco, e Paulo Henrique Gouveia, denunciados pelo Ministério Público (MP) por tentativa de homicídio. Eles serão processados pelo espancamento do estudante Klébson Almeida Silva, 19 anos, crime ocorrido em julho último, na casa de shows Uau, em Jaraguá. A pena prevista varia de 6 a 20 anos de prisão. Após o interrogatório dos acusados, o juiz vai marcar audiência para ouvir as testemunhas de defesa e acusação. Com a denúncia do MP, formalizada pelo promotor Marco Aurélio Gomes Mousinho, a situação dos três rapazes, já popularizados como pitboys, se agrava. Se ao final da instrução processual o juiz se convencer de que a classificação penal (tentativa de homicídio) é a correta, Charlão, Leleco e Gouveia serão submetidos a julgamento popular. Na denúncia, o promotor isentou Thiago Lira de envolvimento no caso. Sua prisão preventiva será revogada pela Justiça. ?Juiz decide, quem opina é o Ministério Público?, disse o juiz Braga Neto, ao ser indagado se o espancamento de Klébson Almeida se enquadra na classificação de tentativa de homicídio. Esse foi o tipo penal proposto pelo delegado Dalmo Lima Lopes, presidente do inquérito que levou os lutadores de jiu-jítsu à prisão, e aceito pelo promotor Marco Mousinho, apesar do protesto do advogado dos lutadores, Givan Soares de Lisboa. Mesmo diante da fita de vídeo gravada na casa de shows, que mostra claramente a violência do espancamento, Givan de Lisboa disse que o delito deveria ser enquadrado como lesão corporal de natureza leve. A fita de vídeo é a principal peça do processo contra os pitboys. Nas alegações, o promotor Marco Mousinho solicitou que o proprietário da Uau apresente a fita completa, sem os cortes da cópia divulgada pela imprensa e entregue ao delegado Dalmo Lopes pela mãe da vítima, a enfermeira Kátia Almeida. O promotor explica que classificou o espancamento como tentativa de homicídio simples após análise detalhada da fita de vídeo. Segundo Marco Mousinho, sem ela seria muito difícil comprovar a violência dos lutadores. Ele admite que a pena pode ser reduzida de um a dois terços. Mas, se forem condenados, Charlão, Leleco e Gouveia podem passar até seis anos na cadeia. ?Buscamos a punibilidade mais justa, nem mais nem menos do que a lei prevê?, disse o promotor. Na avaliação dele, a fita mostra que, além de tentativa de homicídio, o espancamento poderia ser enquadrado como crime hediondo, comparado a estupro ou seqüestro seguido de morte. Mousinho disse ainda que o processo contra os três lutadores ?colocará um freio em adolescentes habituados a delinqüir e nos pais que pecam por omissão?.