Cidades
Garotos acorrentados ter�o assist�ncia do Peti
FÁTIMA ALMEIDA Os dois garotos W.G., de 13 e 14 anos, levados na última segunda-feira pelo Conselho Tutelar da Criança para o Projeto Sentinela, foram cadastrados no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), onde terão jornada ampliada de educação formal e informal e acompanhamento dos integrantes do Conselho. A coordenadora do Sentinela, Palmira Caldas, acompanhou a mãe das crianças, Cícera dos Santos Gomes, durante um encontro com a coordenadora do Peti, quando eles foram cadastrados, assim como a irmã dos garotos, de 12 anos. Paralelo a isso, o Conselho Tutelar está acionando o Ministério Público (MP) e a Delegacia da Criança e do Adolescente para que os pais sejam chamados à responsabilidade sobre as obrigações para com os filhos. A história dos dois adolescentes, que vem sendo acompanhada pelo Conselho há cerca de um ano, ganhou repercussão depois que uma equipe de reportagem da GAZETA DE ALAGOAS encontrou um deles acorrentado à cama da mãe, na última sexta-feira, na casa onde moram, na Chã da Jaqueira. A justificativa da mãe, reafirmada pela vizinhança, é de que essa é a única maneira de manter os dois garotos longe das drogas e evitar que pratiquem pequenos furtos. Os meninos, que já passaram por algumas instituições como os abrigos Dom Bosco fugindo sempre, não freqüentam a escola e, algumas vezes, ajudam a mãe na venda de feijão verde no Mercado da Produção para sustentar a família. ?Eles não querem ser internados e não existe no Estado uma instituição onde possam fazer um tratamento adequado para se livrarem da dependência de substâncias entorpecentes?, diz a coordenadora do Sentinela. Até ontem eles permaneceram na instituição, mas retornam para casa com a perspectiva de iniciar logo a participação no Peti. ?É importante que eles se mantenham ocupados durante o dia, mas que não se afastem do convívio familiar?, conclui Palmira.