Cidades
Pescadores alagoanos s�o expulsos de Sergipe
FÁBIA ASSUMPÇÃO O desaparecimento do sururu na Lagoa Mundaú está deixando sem meios de sobrevivência mais de 500 de pescadores que dependem dessa atividade em Maceió. No Porto do Sururu, no Dique Estrada, as embarcações que chegavam carregadas de sururu desapareceram por completo. Para garantir a sobrevivência de suas famílias, muitos pescadores estão partindo para a pesca predatória, com o uso das manjubeiras (rede fina que pega peixes de pequeno tamanho). Mas a quantidade de peixe trazida é tão pequena que, na maioria das vezes, só é suficiente para a própria alimentação. Foi a falta de sururu na Lagoa Mundaú que levou um grupo de 30 pescadores a irem para Estância, em Sergipe, onde o molusco aparece em abundância. Só que eles acabaram sendo expulsos por determinação do Ministério Público de Sergipe, após denúncias do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e dos pescadores da região, de que seriam clandestinos. O pescador José Benedito da Silva foi um dos pescadores expulsos do Estado vizinho. Ele não se conforma com a decisão tomada pelo promotor de justiça sergipano, Josenias França do Nascimento, que os classificou como pescadores clandestinos e chegou a chamá-los de ?ladrão?. Segundo Benedito, o sururu dá com tanta abundância na Lagoa de Estância, que está morrendo por não ser retirado. Os pescadores traziam, em média, cerca de 500 latas de sururu por dia de Sergipe para ser vendido em Alagoas. ?Eles disseram que a gente tinha destruído a lagoa aqui em Maceió e iríamos fazer o mesmo em Sergipe?, conta Benedito. ?Não fomos nós que fizemos o sururu desaparecer em Alagoas, a poluição é que destruiu a lagoa?, diz o pescador. Ele se revolta por ter sido considerado clandestino, pois possui a carteira de pescador expedida pela Marinha, há mais de 20 anos, que teria, segundo ele, validade nacional. A marisqueira Valdete Maurício era uma das que estava garantindo a sobrevivência da família com o sururu trazido de Sergipe. ?A gente pegava umas oito latas de sururu para catar e vender no mercado todo o dia?, comenta. Agora, está sem qualquer meio de sustentar a família, formada por seis pessoas. O presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas, José Benedito Roque da Silva (Bida), disse que, no próximo dia 3, haverá uma audiência com o promotor de Sergipe, que determinou a expulsão dos pescadores alagoanos, com a participação de técnicos das secretarias de Pesca dos dois estados. O assunto foi discutido ontem durante uma reunião na Federação dos Pescadores com representantes de colônias de pesca e do Batalhão Ambiental.