Cidades
Pol�cia deve investigar morte de jovem que inalou lol�
BLEINE OLIVEIRA Independentemente da iniciativa dos pais, a morte da estudante Simone Miranda de Almeida Vieira, de 13 anos, que morreu após inalar o que seria uma mistura de desodorante Rexona com clorofórmio, popularmente conhecida como ?cheirinho de loló?, pode se transformar em inquérito policial instaurado pela Delegacia de Repressão às Drogas (DRD). A delegada Ana Luisa Nogueira, da Delegacia de Crimes Contra Crianças, disse ontem que, recebendo as informações sobre a morte da menina, a DRD pode instaurar procedimento investigativo. Já o delegado de Repressão às Drogas, Flávio Saraiva, entende que o inquérito depende de laudo demonstrativo de que a morte da menor decorreu do uso de entorpecente. De qualquer forma, acrescenta ele, como fato público, o caso deve ser investigado pelas autoridades policiais. Os pais de Simone não pretendem denunciar o caso à polícia para identificar a origem e quem forneceu o produto. Mas o pai da estudante, médico João Manoel Veras de Almeida, disse que a família gostaria de ver esses fatos esclarecidos. ?Não vamos prestar queixa. Porém, gostaríamos de saber como esse material chegou até elas, quem são esses traficantes?, disse o médico. Tornada pública, por meio de reportagem da GAZETA DE ALAGOAS, uma semana depois de ocorrer, a morte de Simone tem motivado discussões entre especialistas que apontam a banalização de produtos como lança-perfume e ?loló? como causa do avanço do consumo de drogas entre jovens e adolescentes. O próprio delegado de Repressão às Drogas, Flávio Saraiva, confirma essa avaliação de psicólogos e educadores, acrescentando que o uso de inalantes tem se tornado de tal forma comum que muita gente acha que não deve haver repressão policial. Entorpecente Só que, ressalta ele, o produto, proibido no Brasil, está na categoria dos entorpecentes e seu uso é considerado crime. O ?cheirinho de loló? é uma substância feita de forma artesanal composta de clorofórmio e éter. O lança-perfume é um solvente inalante feito à base de cloreto de etila, muito usado na época do carnaval. Nos últimos anos, entretanto, tem sido consumido nos chamados carnavais fora de época e em shows. Pode provocar tontura, desmaios e parada cardíaca. Na última operação executada pela DRD, no clube da OAB, em Jacarecica, quando se realizou show da cantora baiana Ivete Sangalo, foram apreendidos 79 tubos de lança-perfume. A quantidade é elevada, mas o que chamou a atenção dos policiais foi a reação dos jovens, adolescentes e até adultos. ?As pessoas diziam que está todo mundo usando, como se fosse um ato legal e socialmente aceito?, revela o delegado Flávio Saraiva. Por sua experiência profissional, ele acha que ?essa banalização coloca em risco a vida de crianças e adolescentes e é de fato a causa do avanço das drogas no Estado?. A DRD, acrescenta Saraiva, ?já tem registro do consumo de ecstasy, outro alucinante poderoso usado entre freqüentadores das baladas e outras festas dançantes, como as raves. Por seu preço elevado (uma pílula pode custar de R$ 30 a R$ 45), a droga é mais usada por jovens de classe média e classe média alta. ?Hoje, os adolescentes e os jovens têm acesso fácil a qualquer tipo de informação. Na Internet, por exemplo, ele aprende como fazer uma mistura dessas ou mesmo como produzir e detonar uma bomba?, afirma o delegado. Pai de dois filhos, um menor com 17 anos, Flávio Saraiva acredita que a orientação ainda é o melhor caminho para evitar que adolescentes se deixem levar pela curiosidade ou qualquer outro motivo para experimentar drogas. Não há, diz ele, ?uma receita pronta, mas, além da orientação nos dias de hoje, é preciso contar também com a sorte?. Exemplo No Colégio Marista, onde Simone estudava pela manhã e era considerada uma das melhores alunas, o assunto é o principal tema das conversas entre os alunos. Além da surpresa, pois a menina era considerada um boa colega, sem fatos anteriores ligados ao uso de drogas, os adolescentes acham que foi a primeira experiência dela e das amigas com quem estava. Por isso, acreditam que sua morte servirá de exemplo e, provavelmente, afastará muitos deles dessa ?onda?.