Cidades
Ex-fumante exigia 30 mil sal�rios m�nimos
Primeiro autor de uma ação contra fabricante de cigarros a obter ganho da Justiça, o alagoano João Jorge Lamenha Lins começou a fumar com 13 anos e morreu aos 41 de câncer de pulmão e definido pelos médicos como fumante crônico severo. Considerando-se engana-do pela indústria tabagista, segundo a irmã Jocelene Lamenha Lins, ele entrou com pedido de indenização de 30 mil salários mínimos na Justiça por danos morais e materiais. ?Ele morreu desiludido com a Justiça, que, no começo, chegou a reconhecer sua razão, mas depois deu ganho de causa ao fabricante?, diz. Segundo ela, a alegação sustentada por Jorge ao recorrer à Justiça era de que na época em que começou a fumar, em 1973, havia muita propaganda de cigarro e nenhuma com alertas, como hoje. Considerada modelo em todo o mundo, a abordagem das autoridades de saúde brasileira é rigorosa em relação ao cigarro: além das advertências que os fabricantes são obrigados a trazer impressas nas embalagens do produto, há alertas sonoros durante eventos que têm fabricantes de cigarro como patrocinadores. ?Naquela época era diferente: as propagandas vendiam o cigarro como algo maravilhoso e não havia nenhuma advertência?, diz a irmã. Jorge tentou por diversas vezes largar o vício, tornou-se evangélico e, após várias tentativas, segundo ela, afastou-se do cigarro, aos 40 anos. Entretanto, meses depois descobriu que estava com câncer. ?Ele não se conformava e se achava enganado porque nunca tivera nenhum alerta?. Já o despacho do TJ diz: ?Qualquer indivíduo normal, com o mínimo de força de vontade, consegue parar de fumar a qualquer tempo, como o próprio autor o fez no passado?. A assessoria da Souza Cruz informou que das 338 ações impetradas contra a empresa desde 1995, em 186 a Justiça já deu sentença; das quais oito foram favoráveis aos fumantes. (FF)