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No Vergel, esgoto das casas contaminava �gua

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FELIPE FARIAS Os moradores da Rua José Cavalcante, no Vergel, conviveram com uma situação que retrata bem a dificuldade de muitas comunidades em ter abastecimento de água e esgotamento sanitário de qualidade em Maceió: a água que recebiam nas torneiras estava contaminada pelo esgoto de suas próprias casas. Sem rede coletora, a comunidade descarta suas águas servidas numa vala que corre nas calçadas. Abaixo delas está a rede de distribuição de água. Os moradores reclamavam do mau cheiro do líquido e da coloração escura. Entretanto, o susto veio quando a água passou a sair das torneiras totalmente preta. A moradora Marlene Gomes chegou a recolhê-la numa garrafa para denunciar. Segundo a companhia de abastecimento, o problema foi causado por duas irregularidades praticadas pelos próprios moradores: usar bombas para retirar água da tubulação da rede de distribuição e promover ligações clandestinas. As bombas faziam com que a pressão na rede ficasse negativa, ou seja, em caso de vaza-mento, ao invés de a água esgui-char para fora dos canos, ocor-ria o inverso. Como as ligações clandestinas provocavam vaza-mentos, a situação era comum. E como a rede estava envolta em esgotos, o que entrava era água servida; que acabava indo parar nas torneiras. Depois da denúncia, a companhia fez reparos na rede e o problema foi resolvido. Entretanto, essa não é a única curiosidade na forma como os moradores de diferentes comunidades se defrontam com o problema no abastecimento d?água. O catador de lixo José Antônio Barros, no ano passado, foi atropelado quando voltava para seu casebre numa favela do Dique Estrada: na comunidade, conseguir água é um risco de morte. ?Todo mundo aqui conhece alguém que já foi atropelado; quando não foi a própria pessoa ou um parente dela?, diz. É que o único ponto em que eles podem se abastecer é o chamado ?tanque?, uma cisterna situada em frente à favela. O problema é que para chegar até ela, os moradores são obrigados a atravessar as duas pistas do Dique Estrada. Muitos não conseguem equilibrar os recipientes e prestar atenção no trânsito ao mesmo tempo; ou então os veículos vêm em alta velocidade. É quando ocorrem os atropelamentos. ?Eu já estava chegando em casa. Foi uma moto. Me pegou de cheio e eu capotei, com balde e tudo?, relembra o morador. Foi exatamente o trajeto que a moradora Maria Bianca da Conceição teve de fazer depois de conversar com a reportagem da GAZETA esta semana. Ela relata outros problemas que vêm do fato de só haver uma cisterna para atender toda a comunidade. ?Quando a gente chega logo cedo tem dias de haver umas vinte pessoas aqui, de uma vez só. De vez em quando não dá nem para fazer nada e a gente tem de voltar para casa?, conta ela. O uso compartilhado da água também compromete a qualidade. Mas, para se prevenir de acidentes, Bianca deixa os quatro filhos, de três, quatro, cinco e sete anos em casa, quando vai até o local.

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