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Fornecedores driblam PF e distribuem “lol�”

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BLEINE OLIVEIRA Combinação de éter, clorofórmio, cloreto de etila e uma essência perfumada, o lança-perfume - apesar de proibido desde a década de 60, depois de provocar várias mortes por parada cardíaca - é um dos inalantes mais consumidos no Brasil. E o que é pior, todos os componentes dessa perigosa mistura têm que passar pelo controle da Polícia Federal ? no caso de lança-perfume pode até dar prisão ? mas muitos ?comerciantes? estão driblando a polícia e instalando verdadeiras ?linhas de montagem? dos derivados da lança, como o conhecido ?cheirinho da loló?. O ?loló? é considerado pelos especialistas como uma droga manufaturada com solventes químicos, sendo capaz de acelerar a freqüência cardíaca em até 180 batimentos por minuto (o normal é de 70 a 80 bpm), provocando parada cardíaca e, muitas vezes, a morte; leva ainda à destruição das células do cérebro (os neurônios), que não se recompõem. Cheirinho mortal É essa mistura bombástica que muitos adolescentes de Maceió estão inalando, em casa, escondido no banheiro do colégio, em baladas e shows. Quando não têm acesso ao lança-perfume, recorrem a combinação - que também pode ser mortal - do ?loló?, um preparado clandestino, à base de éter mais clorofórmio. A morte da estudante Simone Miranda de Almeida Vieira, 13 anos, pela inalação de loló, provocou um choque na sociedade. Até então, muitos pais não haviam percebido que seus filhos começam a se envolver tão prematuramente com o mundo das drogas. Comércio clandestino Chefe do Departamento de Química da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o professor Mariano Alves Pereira define como ?inexplicável? a forma como crianças e adolescentes têm acesso à essas substâncias para preparar loló. Afinal, lembra ele, o comércio de inalantes e solventes como éter, clorofórmio, acetona, ácido sulfórico e outros é controlado e fiscalizado pela Polícia Federal. Tanto que, revela Mariano Alves, para manter o estoque do departamento que chefia precisa encaminhar à PF relatórios mensais com dados sobre quantidades usadas, os restante e as compras. ?Se não encaminharmos esses relatórios, não conseguimos repor o material?, acrescenta. O professor admite que produzir ?loló? é fácil, e, por isso mesmo, perigoso. É que os ?fabricantes?, quando não encontram uma das duas substâncias (éter ou clorofórmio), as substituem por qualquer outro solvente, aumentando o risco de morte em caso de intoxicação aguda por esta mistura. É a dosagem das substâncias que define o grau de letalidade (risco de matar) da mistura. Os danos dependem da predisposição genética de cada indivíduo, mas psicotrópicos, como éter e clorofórmio, reduzem o diâmetro dos vasos sangüíneos podendo, de acordo com o grau de tolerância de cada um, provocar a explosão das veias e levar à morte.

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