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�gua e saneamento s�o desafios para candidatos

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FELIPE FARIAS Como morador do loteamento Rio Novo, que apesar de pertencer a Maceió está nos limites com Satuba, o servente Guilherme dos Santos tem acesso à água com uma facilidade, que poucos moradores da capital, em sua faixa de renda, possuem. Primeiro, porque ele a tem na hora e no volume que quiser, sem pagar. Depois, porque Guilherme é um dos primeiros consumidores de água captada pelo Projeto Catolé, o maior sistema de abastecimento da cidade, que atende quase um terço de seus habitantes. É que antes que chegue às estações de tratamento, Guilherme retira a água da adutora principal do sistema, que a comunidade perfurou em vários pontos. Já a catadora de material reciclável ? ofício pelo que faz questão de ser chamada ? Maria Bianca da Conceição, corre um risco peculiar em relação à água que usa em seu barraco na favela Sururu de Capote, no Dique Estrada. Contaminação Além de sujeira e dos perigos de contaminação, toda vez que precisa conseguir um balde d?água ela arrisca-se a ser atropelada pelos carros que passam em alta velocidade nas duas autopistas da via. Na comunidade, praticamente todos os moradores já tiveram um vizinho ou parente acidentado enquanto fazia a travessia para se abastecer no ?tanque?, uma cisterna em que os moradores da favela captam a água usada para cozinhar, beber e lavar pratos. ?A gente não tem água em casa, tem que arranjar desse jeito mesmo; fazer o quê??, diz o também catador José Antônio Barros. Mesmo com realidades tão distintas, Guilherme e Maria Bianca fazem parte de um contingente numeroso em Maceió: o de pessoas que não têm acesso ao fornecimento de água de modo regular e ao esgotamento sanitário de qualidade. ?Diz-se que Maceió tem vocação econômica para o turismo, indiscutivelmente possui as praias urbanas mais bonitas do Nordeste e o governo vem fazendo investimentos pesados nessa área, construindo centro de convenções e ampliando o aeroporto. Mas o que atrai o turista para cá é fundamentalmente a beleza natural. Entretanto, uma das coisas fundamentais para manter a beleza das praias é o saneamento?. O trecho pode até lembrar declarações recentes do diretor nacional da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (ABAV), Afrânio Lages Filho, empresário do setor e um dos mais ferrenhos críticos das conseqüências negativas do lançamento de esgoto nas praias de Maceió. Mas o trecho é, na verdade, do professor da Ufal e engenheiro aposentado Vinícius Maia Nobre, que, como então secretário da antiga pasta do Saneamento e Energia, esteve à frente de vários projetos na área, na década de 70. Emissário Sua maior crítica é o fato de Maceió possuir um ponto de descarte privilegiado, o oceano, e não poder usá-lo porque a estrutura que serviria para isso quase não é utilizada. ?Desde 1987 que o emissário submarino está ocioso em 80% porque a rede coletora para as residências não foi implantada?, explica. E como se não bastasse, ?agora estão construindo uma estrutura na Praia da Avenida que deve se transformar em um segundo Salgadinho. Sim, porque dizem que as galerias são para captar águas pluviais, mas não há dúvidas de que ela acabará recebendo também águas servidas?, acrescenta Lages Filho, se referindo à drenagem do Centro. Mas não é só a estrutura responsável pelo saneamento que está parada. O projeto Pratagy, apontado como a redenção para o abastecimento d?água de Maceió, ainda não teve sequer a primeira de suas quatro etapas concluída. ?Quando estiver implantada a primeira etapa, o projeto vai ser importante também porque deve refletir em aumento no nosso faturamento?, estima o diretor de Operações da Casal, Wallace Padilha.

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