Cidades
Sa�de alerta que c�lera volta a amea�ar AL
FÁBIA ASSUMPÇÃO O registro de 18 casos de có-lera confirmados no município de São Bento do Una, no agreste pernambucano, colocou em aler-ta os técnicos da Secretaria Exe-cutiva de Saúde de Alagoas, que estão fazendo um monitoramen-to contínuo nos municípios do Estado que fazem divisa com Pernambuco. Tudo para evitar que o vírus transmissor da doen-ça chegue, novamente, a Alagoas. O último caso de cólera registrado no Estado foi em 2001. ?Naquele ano, foram registrados sete casos de cólera no Brasil: quatro no Ceará, um em Pernambuco, um em Alagoas e um em Sergipe?, diz José Lourenço de Brotas Neto, técnico responsável pelo setor de Informação e Análise da Divisão de Doenças de Veiculação Hídrica da Secretaria Executiva de Saúde. O gerente do Projeto de Vigilância Ambiental e Saúde (Provan), Carlos Alves de Lima, disse que o monitoramento está sendo feito nos municípios alagoanos banhados por rios que vêm de Pernambuco, como os situados nas Bacias do Una, Mundaú e Pa-raíba. ?O objetivo desse monito-ramento é verificar se o vírus transmissor da cólera está cir-culando no ambiente. Até agora, ele não foi identificado em Alagoas?. A coordenadora da Divisão de Doenças de Veiculação Hídrica (DDVH), Jean Lúcia dos Santos, informou que todo os agen-tes da saúde dos municípios na divisa com Pernambuco estão sendo orientados e capacitados para dar assistência no caso de ocorrência da doença. Ela diz que estão sendo distribuídos kits mínimos para tratamento da doença composto de soros fisiológico e glicosado, sais de reidratação oral, além de hipoclorito de sódio para tratamento da água. ?Estamos fazendo também reuniões técnicas nesses municípios para que todo mundo permaneça em alerta?. A cólera é uma doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae. Por causa da diarréia continua, o paciente entra rapidamente num quadro de desidratação, que pode levá-lo a morte se não receber os cuidados necessários. Segundo um estudo feito pelo técnico responsável pela Informação e Análise da DDVH, José Lourenço de Brotas, há relatos de que o vírus penetrou no Estado em março de 1992, no bairro do Vergel. Mas o primeiro caso registrado oficialmente pelo Sistema de Informação de Cólera (SI-Cólera) ocorreu em janeiro de 1992, no município de Ibateguara, a 151 quilômetros de Maceió. Com uma análise sobre os 10 anos da presença da cólera em Alagoas, o estudo de Lourenço mostra que no período de 1992 a 2001 foram registrados, no Estado, 23.213 casos suspeitos da doença, com confirmação de 16.982 (73,16%). O maior número de casos confirmados, 5.415, ocorreu em 1993. Em 1997, foram 1.610 novos casos, corres-pondendo a um crescimento de 249,06% em relação ao ano anterior, decrescendo novamente nos anos seguintes. O maior per-centual de positividade, no en-tanto, foi verificado em 1992, quando 56,0% das 4.709 amostras examinadas confirmaram a presença do Vibrio cholerae. O Laboratório Central de Alagoas (Lacen), entre 1999 e 2001, recebeu 5.987 amostras ambientais destinadas à identificação do agente causador da cólera, tendo comprovada a sua presença em 27,69% das amostras de água. De acordo com Lourenço, as características geográficas, socioeconômicas, sanitárias e políticas favoráveis à disseminação do vibrião colérico contribuíram para que, desde o início da epidemia, 100% dos municípios alagoanos fossem atingidos. No Brasil, no período de 10 anos, a cólera causou 2.035 mortes, com o maior índice de óbitos nos estados do Rio de Ja-neiro e Pará.