Cidades
Inseguran�a faz sem-terra deixar acampamento
BLEINE OLIVEIRA A arborizada e ampla Praça Visconde de Sinimbu, no Centro de Maceió, é o mais novo acampamento de 97 famílias de trabalhadores ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT). Expulsos, segundo lideranças da CPT, da área denominada Sementeira, no município de União dos Palmares, a 80km de Maceió, desta vez eles vieram para ficar. Antes de participar do X Grito dos Excluídos, ontem, eles montaram barracas de lona em quase todo o espaço da praça. A montagem agora não foi feita de forma provisória, como se fossem partir em pouco tempo. ?Só sairemos quando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) definir uma nova área para essas famílias?, disse o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima. Os trabalhadores trouxeram todos os poucos pertences que têm. ?Trouxemos tudo, panela, cachorro, papagaio, tudo?, acrescenta Lima. A ocupação em Maceió, segundo ele, já fora comunicada ao atual dirigente do Incra em Alagoas, Gino César, que prometeu para o dia 11 de agosto uma nova área para as famílias da Sementeira acampar. Vencido o prazo e cansado de esperar, o grupo rumou para Maceió. A Fazenda Sementeira é propriedade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas está abandonada há vários anos. Lá eram desenvolvidas pesquisas agrícolas que se perderam após o desmonte daquele órgão público. Como área improdutiva, o espaço foi ocupado pela CPT que reivindicou ao Incra a implantação de projetos de reforma agrária. Só que as famílias não conseguiram resistir ao que Carlos Lima chama de ?ameaça de pistoleiros? que invadiram a fazenda e há vários anos investem contra os trabalhadores para afastá-los da área. ?Denunciamos as ameaças à Polícia Civil que encontrou armas de grosso calibre com os pistoleiros, mas de nada adiantou?, reclama o coordenador da CPT. Sentindo-se inseguros e temendo represália pelas denúncias feitas, os trabalhadores decidiram deixar a Sementeira e acampar em Maceió para obrigar o Incra a conseguir outra área enquanto esperam pelo processo de reforma agrária.