Cidades
Exclu�dos v�o �s ruas contra injusti�as sociais
BLEINE OLIVEIRA O Grito dos Excluídos, uma manifestação criada pela Igreja Católica que acontece nos 27 estados brasileiros desde 1995, reuniu, ontem, em Maceió, segundo cálculo dos organiza-dores, mil pessoas. Trabalhadores, estudantes, desempregados, religiosos, militantes sindicais e diversas pastorais católicas percorreram a pé os 5km que separam a Praça Floriano Peixoto, a conhecida Praça dos Martírios, do Papódromo, no Dique Estrada. Com música de teor religioso e discursos, os participantes repetiram a pregação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contra as injustiças e por uma nova ordem social e econômica capaz de superar a fome, a miséria e a violência, assegurando a todos condições dignas de vida. Nesta décima edição, o tema foi ?Brasil: mudança pra valer, o povo faz acontecer?, divulgado como um recado direto e um alerta ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os dirigentes das entidades organizadas, o governo não está caminhando na direção dos interesses populares. Já o alerta é bem mais significativo. Ao completar 10 anos, o Grito dos Excluídos deixa claro que as reformas estruturais que a sociedade espera só serão possíveis com o povo nas ruas. ?Infelizmente, o governo Lula está aquém do que esperávamos e do que prometeu?, disse Carlos Lima, coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), uma das 27 entidades que participaram das manifestações. Segundo ele, as organizações sociais, populares e religiosas não estão anunciando um rompimento com o governo, mas indo às ruas para mostrar que não é possível a passividade quando 35% da população brasileira é formada por excluídos social e economicamente. ?A proposta do Grito é questionar as autoridades sobre a realidade de exclusão a que está submetida uma imensa parcela da população brasileira?, afirma o dirigente da CPT. Ele acrescenta, tomando como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a exclusão em Alagoas atinge mais de 56% da população. O Grito é ainda um contraponto às comemorações oficiais do Sete de Setembro, data da Independência do Brasil. Há dez anos, em sua primeira edição, o ato político-religioso teve como tema a Vida em Primeiro Lugar. Na ocasião, as entidades envolvidas apontaram os mecanismos que provocam a exclusão social ao tempo em que defendiam caminhos para a construção de uma sociedade solidária. Desde sua criação até hoje, o Grito dos Excluídos tem procurado envolver toda a sociedade. Seus organizadores acreditam que alguns avanços foram conquistados, como as experiências de economia solidária e o apoio à luta pela terra que tem contribuído para assentar milhares de famílias. ?Esse movimento cresce na direção das transformações que a sociedade entende possíveis e necessárias?, acrescenta Carlos Lima.