Cidades
Sindic�ncia sobre desvios na Sa�de se isola e adia relat�rio
FÁBIA ASSUMPÇÃO A Comissão de Sindicância da Secretaria Executiva da Saúde (Sesau) decidiu se reunir, ontem de manhã, em local isolado da imprensa, com a justificativa de ?tentar concluir sem pressões?, dentro do prazo, já ultrapassado, o relatório sobre a investigação administrativa interna que apura o desvio de R$ 3,5 milhões destinados à compra de medicamentos e de insumos para a Unidade de Emergência de Maceió e o Agreste. O novo prazo para que a comissão entregue o relatório ao secretário Álvaro Machado termina amanhã. A comissão começou a trabalhar no caso no dia 20 de julho, e deveria ter concluído o trabalho no dia 20 de agosto, mas pediu outra prorrogação de 10 dias. Ontem de manhã, na sala onde a comissão de sindicância está funcionando provisoriamente, ao lado da sede da Sesau ? na Avenida da Paz ? apenas a funcionária que secretaria os trabalhos estava no local. Ela disse que não sabia informar onde os membros da comissão estavam reunidos, mas garantiu que nenhuma outra pessoa havia sido convocada para depor. A assessoria de imprensa da Sesau confirmou que a comissão decidiu se reunir num local fora da secretaria para tentar concluir o relatório. A sindicância foi instaurada depois da descoberta de ofícios com assinaturas falsificadas do secretário-adjunto Jorge Villas-Boas e do diretor-financeiro da Sesau, Antônio Guedes Caldas, usados para transferências irregulares em pelo menos cinco contas da Saúde no Banco do Brasil. A primeira fraude descoberta foi a de um pagamento de R$ 52.630.00 a uma suposta construtora J.J.S Santos, com sede em Traipu, no mês de maio. No dia 30 de junho, o Departamento Financeiro detectou outro ofício com assinaturas falsificadas dos mesmos dirigentes da Sesau, dessa vez para desviar R$ 56.650,00 para as contas de uma Distribuidora de Combustível Compet, com sede em Aracaju. Considerada uma falta grave, por não ter sido identificada logo de início, o secretário Álvaro Machado exonerou no dia 1º de julho o chefe da Seção de Contabilidade, Eduardo Menezes, que passou a ser apontado como principal suspeito no caso. Pelo menos R$ 325 mil, de acordo com documentos encaminhados pelo Banco do Brasil, foram depositados nas contas da Compet, que pertence a Bruno e Eduardo Menezes Júnior, filhos do ex-chefe da Seção de Contabilidade. Mais de 30 pessoas foram ouvidas pela Polícia Federal, entre funcionários da Secretaria de Saúde ? inclusive o próprio secretário Álvaro Machado ?, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e pessoas que supostamente foram beneficiadas pelo esquema. A Polícia Federal adotou a política do silêncio sobre o andamento das investigações.