Cidades
Delegados adiam entrega de inqu�rito sobre caso Jaudeni
DORGIVAL JÚNIOR A comissão de delegados da Polícia Civil que investiga a prática do crime de extorsão mediante seqüestro, que tem como principal acusado o vice-presidente da Câmara de Maceió, vereador Jaudeni Coutinho (PSB), não concluiu ontem o texto final do inquérito que seria remetido à Justiça. De acordo com o presidente da comissão, delegado Cícero Lima, a documentação será entregue amanhã, sexta-feira. Ele informou, ainda, que os membros da comissão ?ainda estão definindo? se o relatório sobre o caso será acompanhado, ou não, do pedido de prisão preventiva do vereador Jaudeni Coutinho. Por se tratar de um crime hediondo, ele tem como requisito da lei o pedido de prisão do acusado. ?Mesmo que a comissão não remeta à Justiça o pedido de prisão preventiva do vereador, o juiz que receber o processo poderá fazê-lo?, disse Cícero Lima, presidente da comissão formada pelos delegados municipais de Arapiraca, Maurício Duarte, e de Penedo, Rubens Natário. Segundo informou Cícero Lima, o atraso na elaboração do relatório final sobre o caso foi provocado pela impossibilidade de os delegados responsáveis pela investigação se reunirem ontem. ?Cada delegado trabalha em uma cidade diferente, e não tivemos tempo de nos reunir e concluir o relatório, que deve ser feito com calma, para que não contenha erros?, disse o presidente da comissão. Após o relatório ser remetido à Justiça, o juiz que receber o inquérito deve abrir vistas do processo ao Ministério Público e, posteriormente, decidir sobre o pedido de prisão do acusado. Em entrevista à GAZETA DE ALAGOAS, semana passada, o delegado Cícero Lima informou ter recebido a degravação da fita, realizada por peritos da Polícia Federal, onde a pessoa que se identifica como Jaudeni exige da família das vítimas (os pernambucanos Flávio Freire e Sávio Gomes Torres), como condição para libertá-los, a quantia de R$ 110 mil. O dinheiro seria uma indenização pela compra de um trator roubado, além de também ter exigido R$ 17 mil para pagar aos policiais que praticaram o seqüestro. ?A gravação é conclusiva no que diz respeito a extorsão, e a voz é realmente do vereador?, acrescentou o delegado. O crime de extorsão mediante seqüestro teve como vítimas os primos pernambucanos que foram resgatados por policias do Tigre, o grupo de operações especiais da Polícia Civil, em junho deste ano, quando o caso veio à tona, na Fundação Jaudeni Coutinho, situada no bairro do Prado.