Cidades
Sindic�ncia na Sa�de: relat�riosai hoje, mas mist�rio continua
A sindicância da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), que apurou o rombo de R$ 3,5 milhões em verbas do governo federal, deve ser concluída hoje. Os responsáveis pela investigação fazem mistério sobre o processo e evitam adiantar até o conteúdo, ou até mesmo o número de páginas que terá o relatório final, que deverá ser entregue ao secretário da Saúde, Álvaro Machado. Já o advogado Fábio Ferrário, que defende o ex-chefe da Contabilidade da Sesau, Eduardo Menezes ? principal acusado e afastado do cargo após a denúncia ? disse que ?se for guardada a coerência errônea que está presente desde o início?, a sindicância deve responsabilizar apenas Eduardo Menezes. A investigação interna na Sesau foi instaurada após a denúncia do próprio secretário, Álvaro Machado, de que dois dirigentes da pasta, o secretário adjunto Jorge Villas-Boas, e o diretor-administrativo, Antônio Guedes, tiveram suas assinaturas falsificadas em ofícios usados para transferir, de contas no Banco do Brasil para contas particulares, recursos do Ministério da Saúde que deveriam ser usados na compra de medicamentos. ?Não acredito como é que se abre um processo e, sem que o servidor seja sequer ouvido, já se aplica a punição extrema prevista?, disse Ferrário. ?Ele [Menezes] nunca foi nem o suspeito. A verdade é que ele foi escolhido para ser o culpado?. Polícia Federal Na Polícia Federal, continuam a chegar documentos sobre as operações com os recursos da Saúde. Por decurso de prazo, o inquérito foi encaminhado à Justiça Federal. O delegado do caso, Arivaldo Marques, que pediu prorrogação de 60 dias para concluir as investigações, disse desconhecer quando o inquérito será devolvido, nem qual será o novo prazo que terá para encerrar os trabalhos. ?Definir o prazo a ser concedido é prerrogativa da Justiça?, disse. Sindicância A investigação interna da Secretaria de Saúde foi iniciada no dia 20 de julho e levou à convocação de treze pessoas para depor, das quais foram ouvidas dez. O ex-chefe da Contabilidade da Sesau, Eduardo Menezes, não compareceu, bem como os representantes de duas empresas de Aracaju (SE) que teriam recebido parte dos recursos desviados. Uma das empresas é dos filhos de Menezes. Um funcionário da agência da Caixa Econômica por onde passam os recursos para a Sesau foi convocado, não compareceu, mas apresentou justificativa aceita pela comissão. Há cerca de uma semana, três de seus quatro integrantes estão elaborando o relatório final, com base nos depoimentos e na documentação analisada. O advogado Fábio Ferrário afirmou que, juridicamente, o relatório da sindicância não tem efeito sobre seu cliente, Eduardo Menezes, uma vez que a punição extrema a um servidor público é a exoneração, e esta penalidade já lhe foi aplicada. ?Na prática, essa sindicância não tem mais poder para alcançá-lo?, resumiu. (FF)