Cidades
Crian�as est�o entre os n�o reclamados
EDNELSON FEITOSA Do Instituto Médico Legal Estácio de Lima sai metade dos corpos dos indigentes que são levados para o cemitério Divina Pastora. A maioria procede do interior do Estado e normalmente é vítima de morte clínica, ou seja, de alguma doença. Entre os cadáveres nunca procurados pelas famílias, muitos são de crianças e adolescentes. O médico Arggeu Pessoa de Mello, diretor do instituto, confirma que os cadáveres são sepultados como indigentes ou porque as famílias não procuram o corpo a tempo ou porque não têm condições para realizar o sepultamento. Ele explica que no caso de vítima de morte natural, o processo de liberação do corpo para sepultamento é rápido, bastando uma autorização da família ou simplesmente o abandono do corpo que, de imediato, passa ao rol dos não reclamados e vai direto para o cemitério. Segundo Arggeu, quando se trata de morte violenta, todos os cadáveres são identificados com fotografias, impressões digitais e identificação odonto-legais. Ele diz que também é retirado do corpo um pedaço do osso do fêmur para um possível exame de DNA, caso surja alguma dúvida sobre o caso ou uma determinação judicial para a exumação. Ele diz que hoje não haveria mais risco, como no passado, de um corpo ser sepultado sem garantias legais. ?Sempre será possível identificar o destino da vítima. Desaparecidos Nos últimos 12 meses, 51 pessoas vítimas de morte violenta não foram identificadas pelo IML e terminaram sepultadas como indigentes. O médico Arggeu Pessoa ressalta que quando a família der falta do parente, deve procurar imediatamente a Polícia Civil, o IML e o Pronto-Socorro. Ele admite as dificuldades decorrentes do fato de o IML não ser informatizado. ?Mas jamais deixaremos de dar uma resposta a qualquer solicitação?. Segundo ele, os familiares não devem esperar muito tempo para procurar o corpo, para não correrem o risco de descobrir apenas mais tarde que a pessoa já foi enterrada. Em média, os corpos permanecem numa velha geladeira por cerca de duas semanas. Os que já se encontram em avançado estado de putrefação, contudo, são catalogados e levados ao cemitério. A principal causa da falta de identificação é o número elevado de pessoas que não têm nenhum tipo de documento. Em geral, essas pessoas são oriundas do interior do Estado, principalmente da região canavieira. A pessoa que reclamar o corpo tem de provar que realmente é parente e que tem algum tipo de identificação da vítima. Muitos recorrem ao batistério, um documento religioso. Outros procuram o delegado da cidade onde ocorreu o óbito. Tudo leva tempo e o defunto não pode esperar, pois em pouco tempo entra em decomposição. É uma verdadeira maratona.