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O cemit�rio dos pobres e an�nimos de Alagoas

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EDNELSON FEITOSA Eles são miseráveis até na morte. São alagoanos indigentes que perambulam pelo Estado sem família, sem parentes e sem nenhuma referência documental ou patrimonial. Ao morrer, essas pessoas são esquecidas nas pedras frias do Instituto Médico Legal (IML) à espera de alguém que reivindique o corpo. Segundo estimativas dos funcionários do único cemitério que recebe corpos sem identificação, o Divina Pastora, em Rio Novo, administrado pela Prefeitura de Maceió, são quase 700 enterros por ano. Mas segundo estimativas do IML e da Unidade de Emergência, os indigentes que morrem sem sepultamento podem passar dos mil. Ao invés das cruzes, os túmulos rasos dessas pessoas são marcados por pedaços de pau cravados na terra. Os corpos são sepultados em cova rasa. Alguns deles eram parentes de pessoas pobres, gente que vai ao IML ver o cadáver e se despede, sem dinheiro para sepultar. No IML, os cadáveres dessas pessoas ficam amontoados numa velha geladeira por dois ou três dias. Depois, seguem de rabecão em sua última viagem até o cemitério dos anônimos, onde são sepultados em sacos plásticos. O coveiro George Francisco, 41, mostra covas abertas para receber os novos ?inquilinos?, substitutos de outros cujos ossos ainda estão sob a terra. ?Cada corpo fica enterrado em média três anos. Depois, nós abrimos espaço para outros indigentes?, revelou ele, comentando que na semana passada chegou a sepultar sete cadáveres num único dia. Alguns deles, de anônimos, outros, parentes de pessoas que não podem pagar pelo enterro. Esse é o caso de Dona Maria das Graças da Silva, que não pôde sepultar o seu filho mais novo, Cícero Januário, de 15 anos, que morreu de hepatite. ?Meu caçula está com Deus, não importa onde o corpo será sepultado, pois não tenho dinheiro para sepultá-lo?, conforta-se junto com a filha, Edleuza, pouco antes de deixar o cadáver do filho numa pedra do IML. Segundo o gerente da funerária Pax União, Vicente Cláudio Pimentel Barbosa, o enterro mais barato não sai por menos de R$ 200. (Leia mais na página E26)

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