Cidades
Escolas atraem jovens eleitores para cidadania
FÁTIMA ALMEIDA O número de eleitores com idade inferior a 18 anos aumentou 50% em Alagoas, em relação à eleição passada, em 2002, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). São mais de 60 mil jovens alagoanos aptos a votar, número que pesa na balança eleitoral que vai definir, no dia três de outubro, os futuros prefeitos e vereadores responsáveis pelas políticas públicas dos municípios nos próximos quatro anos. Antes dos 18 anos o voto não é obrigatório, e muitos desses jovens preferem se afastar do processo eleitoral. Mas alguns projetos educativos começam a despertar em adolescentes de diferentes condições sociais uma percepção da política como instrumento de transformação e exercício de cidadania. De um lado, no coração da Ponta Verde, alunos do Colégio Inei entraram em campo para ver, pessoalmente, situações que antes só conheciam por noticiários da televisão e nos jornais. ?Eu nunca tinha entrado numa escola pública antes. Percebi que há uma falta de estrutura enorme, faltam inclusive professores?, observa a estudante Nathália Toledo, 17 anos, aluna do 2o ano do Ensino Médio, do Colégio Inei. Do outro lado, no Dique Estrada, adolescentes tiram da própria experiência, onde as carências são muitas, lições que poderiam ensinar muitos políticos como agir em defesa da melhoria de qualidade de vida da população. ?Tem ruas onde o caminhão do lixo não passa. Participamos de campanhas de coleta seletiva. É uma maneira de ajudar a nossa comunidade e de nos mantermos ocupados, longe do mau caminho?, diz o estudante Elielson Moisés, 18 anos, aluno do 2o ano do Ensino Médio na escola pública Rodriguez de Melo, no Vergel. As realidades sociais são totalmente diferentes, mas a proposta dos dois projetos é a mesma: levar os jovens a refletir, a partir de experiências vividas ou pesquisadas por eles, sobre situações que afetam a coletividade; a postura dos políticos diante desses problemas; e até propor soluções que poderiam resolvê-los. ?Debater política e cidadania com os jovens não é tarefa fácil. Eles são meio arredios ao tema. Mas nesse projeto, eles vivem experiências que os estimulam a participar. Eles se deparam com situações que antes não percebiam e se envolvem, despertando o interesse pela solução?, explica o professor Walter Tito, idealizador do projeto ?Pacato Cidadão?, do Inei. ?Os jovens discutem os problemas vividos pela sua comunidade, e promovem ações coletivas que os fazem perceber que podem transformar a vida das famílias. Eles são estimulados e multiplicam o processo de conscientização na comunidade para lutar por objetivos comuns?, explica Alexandre Lima, 19 anos, educador do Projeto Brejal, no Dique Estrada, ligado à Organização Não- Governamental Visão Mundial. (Continua na página E22)