Cidades
Doen�as da mis�ria ainda matam em AL
Fábia Assumpção Em pleno século XXI, com todos os avanços da Medicina, em muitos bolsões de miséria espalhados pelos municípios alagoanos, inclusive em Maceió, ainda persistem moléstias de séculos passados. São doenças intimamente ligadas às condições de miséria em que vive grande parte da população pobre, morando em locais sem saneamento básico. Para se ter uma idéia, de janeiro a julho deste ano foram registrados 48.453 casos de diarréia no Estado. Apesar de ter sido 34,92% menor do que no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 48.453 casos, esse índice revela como doenças que já não abalam mais os chamados países do Primeiro Mundo ainda são uma realidade entre os alagoanos mais pobres. Os casos de esquistossomose, outra doença também ligada à pobreza, voltaram a aumentar nos últimos anos, principalmente nos municípios da zona da mata alagoana como União dos Palmares e São José da Laje. Em 1996, o índice de mortes provocadas pela doença foi de 1,55; em 2001 chegou a 6,26. ?Em 72 municípios alagoanos (o que corresponde a 30% do Estado) a esquistossomose é endêmica, principalmente nas cidades que margeiam as bacias do Mundaú e Paraíba?, explica José Lourenço de Brotas Neto, técnico responsável pelo setor de informação e análise da Divisão de Doenças de Veiculação Hídrica, da Secretaria Executiva de Saúde (Sesau). Um mapeamento da situação de risco da água para o consumo humano em Alagoas, realizado em 2003, aponta uma série de problemas que comprometem a qualidade da água, como distribuição da água clorada sem realizar a filtração; presença de turbidez acentuada e a interminência do abastecimento. A interminência acontece principalmente por causa da ocorrência de remanejamento na oferta de água, de uma mesma rede, por diferentes cidades ou até mesmo bairros. E nem mesmo quem mora em Maceió escapa desse proble-ma. ?Em Maceió tem muitos problemas de poços com água salgada, com cloreto acima do permitido e principalmente ferro, por causa da tubulação antiga?, observa Carlos Alves de Lima, gerente do Projeto de Vi-gilância Ambiental e Saúde (Provan).