Cidades
Jovens da periferia querem �rea para lazer
FELIPE FARIAS Na falta de opções de lazer, os três filhos da dona de casa Maria de Lourdes Silva Santos se divertem matando passarinhos com os estilingues que traziam no pescoço na última segunda-feira. ?Eu queria que eles tivessem um lugar para brincar que fosse melhor do que o que eles têm. Eu mesma, queria um lugar para fazer uma caminhada, por exemplo?, salienta a moradora do Alto da Alegria, no Benedito Bentes. O filho do meio, Anderson Jorge, de 7 anos, cobra uma praça para a comunidade, logradouro que não existe no local. As únicas áreas de lazer da comunidade, segundo ela, são descampados onde os meninos improvisam um jogo de bola. Ao lado dela, num campo poeirento, o pintor desempregado Clóvis dos Santos marcava o tempo de uma partida de futebol com os vizinhos. ?Como estamos todos de-sempregados, todos os dias estamos aqui?, relatava, enquanto transcorria a ?partida? no campo do Treze, ao lado da Praça Padre Cícero, onde fica o maior terminal do bairro. Os campos até que são numerosos, mas a única coisa que os associa ao futebol são as traves do gol; já que não há gramado, arquibancadas e outras mínimas instalações. Não muito longe dali, os vizinhos Marcelo José da Silva e José Hamilton Ferreira da Silva se arriscavam pelo acostamento da Via Expressa para praticar corrida, porque em sua comunidade, o conjunto Village Campestre, não há nenhum equipamento para tal. ?A gente se arrisca por amor ao esporte?, sentencia Marcelo. ?O esporte é que desenvolve o ser humano, mas as pistas aqui em Maceió se resumem à orla. Mas para um morador do Tabuleiro freqüentar esses lugares, só se tivesse carro?, acrescenta o porteiro José Hamilton, morador da Rua Florêncio de Abreu, 57. Eles cobram a construção de equipamentos de lazer em alguma das muitas áreas abandonadas que existem na região e que, segundo eles, ?só servem para juntar bandido?. Periferia x orla A falta de opções de lazer não é um transtorno apenas dos moradores do Tabuleiro. Ela se estende a outros bairros. Na BR-104, é comum ver os moradores percorrendo a pista que dá acesso ao aeroporto, dividindo espaço com os carros, ainda que o acostamento seja largo; situação semelhante verificada no loteamento Murilópolis e no Sanatório, onde quem quer caminhar tem de ir para a pista da Avenida Francisco Amorim Leão. O Parque Municipal é uma opção a mais, entretanto, o acesso não é o mesmo que para a orla; uma das razões para a freqüência comparativamente bem menor. Mas, a confirmar as reclamações de moradores de muitos bairros da periferia, os bairros da região da praia são dotados de muitas opções: ciclovias, praças para exercício, campos de futebol, futvôlei, basquete e até tênis. É na Ponta Verde que está a única praça com pista de skate de Maceió; a Jatiúca tem o mais completo equipamento de lazer: a moderna ciclovia que está para ser inaugurada no Stella Maris.