Cidades
Gar�onete diz que namorado tem j�ias do penhor
EDNELSON FEITOSA O depoimento da garçonete Elizete, 25 ? a polícia não divulgou o sobrenome ?, que seria namorada de Robson Menezes da Silva, 28 ? suspeito de participar do tiroteio na boate Arena ? comprometeu o acusado em outro crime: o seqüestro e assalto milionário à agência de penhores da Caixa Econômica Federal, no Centro de Maceió, em maio passado, quando uma quadrilha levou mais de R$ 1 milhão em jóias. Menezes está preso no Grupo Tático e Integrado da Polícia Civil (Tigre). A garçonete revelou ? em depoimento informal à polícia ? ter ouvido do namorado que ele tinha R$ 900 mil, em jóias, para gastar. Ele teria empenhado parte das jóias e usado o dinheiro para comprar o Vectra verde que emprestou aos acusados do atentado da última sexta-feira, em Jaraguá. O automóvel foi comprado por R$ 16 mil, pagos à vista. Para o delegado do 2º Distrito, Dalmo Lima, que preside o inquérito do caso Arena, o depoimento reforça a tese e dá mais indícios de que o grupo de atiradores da boate Arena tem participação no assalto ao penhor da Caixa. Robson Menezes foi preso numa lanchonete ao lado do supermercado Via Box, na Serraria, por uma guarnição da Polícia Militar (PM), alertada por um telefonema ao disque-denúncia sobre a presença de um dos suspeitos do episódio da boate Arena no local. Quando foi abordado pela PM, Robson estava na companhia de Elizete. Confissão O delegado Dalmo Lima confirmou que Robson, na última quinta-feira, confessou ter emprestado o veículo Vectra para Joseney César da Silva e seu cúmplice, Ronaldo Souza, após uma farra no Bar da Ivete, vizinho à casa no conjunto Graciliano Ramos onde ele e outras duas mulheres que vieram de Minas Gerais estavam morando. Declarou porém, ter sido ameaçado: ?Se não emprestasse o carro, a família sofreria as conseqüências?. Em seu relato, Robson Menezes declarou ter conhecido Joseney, Ronaldo e o adolescente de 17 anos no último sábado, mas disse que não teve nenhum contato anterior, nem participou do tiroteio na boate Arena, versão que o delegado considera falsa. Por isto, decidiu manter o suspeito preso e ouvi-lo em termos de interrogatório. Bronca pesada Robson garantiu, de acordo com o delegado, que não recebeu nenhum dinheiro para ?emprestar? o Vectra e disse acreditar que o grupo usou o veículo para fugir de Maceió. ?Eles me disseram que precisavam do carro porque tinham se metido numa bronca pesada?, contou. Não se referiu, porém, ao fato de que Iraci deu abrigo ao grupo de Joseney, conforme declarações de testemunhas. A namorada de Robson, Elizete, deve ser interrogada, mas a data não foi revelada pelo delegado do 2º Distrito, que confirma envolvimento de alagoanos com o grupo. Ele disse que não descarta a hipótese de serem pessoas de influência financeira e política no Estado. ?Não tenho informação de que nenhum filho de político esteja envolvido. Pelo menos, por enquanto?, garantiu o delegado.