Cidades
Rio Jacarecica ser� novo Salgadinho
FÁTIMA ALMEIDA De todos os rios de Maceió, a situação mais crítica, segundo o ambientalista Gustavo Carvalho, é a do Jacarecica, excluindo-se, evidentemente, o Salgadinho, que é citado por ele como um parâmetro bem próximo para o futuro do vizinho. Pelo rio, que desce da região do Benedito Bentes, passando por muitos aglomerados urbanos, desce muito barro das áreas desmatadas nas suas encostas, mas também desce muito esgoto colhido no trajeto. Em sua bacia foram construídos conjuntos habitacionais como o Carminha, Selma Bandeira, Freitas Neto e adjacências. Essa convivência nada benéfica com a urbanização já condenou o rio a um futuro bem parecido com o do Riacho Reginaldo. Em sua foz, na Praia de Jacarecica, o desenho traçado confirma que a previsão não está muito distante: a água barrenta que vence o processo de assoreamento tenta se distinguir, na cor, da água escura dos esgotos, mas a mistura é inevitável. Das construções que hoje dão as costas para o rio, a saída dos esgotos jogados in natura no seu leito não é escondida de ninguém. ?Ainda tem um agravante. A macrodrenagem do Tabuleiro vai lançar no Jacarecica um volume de água de qualidade duvidosa?, alerta Gustavo Carvalho. Ele lembra que em 1978 o Rio Jacarecica foi enquadrado, por decreto estadual, como rio classe 1, junto com o Pratagy e o Riacho do Silva. Esse enquadramento é uma espécie de reserva de recursos hídricos para fins de abastecimento da cidade, mas hoje isso só seria possível com um alto investimento tecnológico.