Cidades
Foz exp�e fase terminal dos rios de Macei�
FÁTIMA ALMEIDA Os nomes são bonitos - Riacho do Silva, Salgadinho, Jacarecica, Guaxuma, Riacho Doce, Saúde, Pratagy e Sauaçuhy - mas os rios urbanos de Maceió estão hoje degradados e poluídos, e o que é pior: em fase terminal. Alguns desses mananciais estão com nível crítico de oxigênio. Para sentir a pulsação dos rios da capital, a GAZETA DE ALAGOAS percorreu a foz de cada um deles e colheu a opinião de especialistas. A constatação é uma só: nossos rios estão agonizantes. Maltratados pela ocupação irregular do solo e pelo crescimento urbano desordenado no entorno de seu leito, agravados pela carência de políticas públicas de saneamento e o baixíssimo nível de consciência ambiental da população, eles se tornaram doentes graves. Alguns desses rios e riachos, que já cumpriram, inclusive, o papel de abastecer várias comunidades da capital, chegam à foz, onde a vida deveria se multiplicar, com o aspecto de esgoto aberto. A cor das águas, o odor e a sujeira que eles arrastam não deixam dúvidas quanto ao diagnóstico fatal: a morte por poluição. Um exemplo mais emblemático desse quadro está no centro de Maceió, na foz do popular Salgadinho, que nasce com o nome de Riacho do Reginaldo. Mas outros ?rios-esgotos? já fazem páreo no item poluição e um forte indicativo disso está no Rio Jacarecica e no famoso Riacho Doce. A quantidade de dejetos que eles recebem e arrastam ao longo do percurso que fazem (da região do Tabuleiro até o Litoral Norte de Maceió) já os colocou no topo da escala dos mananciais altamente poluídos, em todos os estudos realizados sobre os recursos hídricos do município. Nem mesmo o Riacho do Silva, que já abasteceu a Maceió antiga e passa dentro da única área de preservação ambiental mantida pelo município (o parque municipal de Bebedouro), escapou da epidemia. Assoreado pelo desmatamento e ocupação de suas margens, ele ganha inúmeros ?afluentes? em sua passagem por áreas povoadas: esgotos e lixos lançados pelos moradores, e chega à foz, em Bebedouro, praticamente sem forças para o encontro com a Lagoa Mundaú. Veja a seguir a situação de cada um desses rios.