Cidades
Pais refor�am cuidados com a sa�da dos filhos
BLEINE OLIVEIRA O espancamento do estudante Klébson Almeida, por um grupo de lutadores de jiu-jítsu, os pitboys, na boate Uau; a morte da menina Simone Miranda Vieira de Almeida, de 13 anos, provocada pela inalação de loló (mistura de éter ou clorofórmio com desodorante ou outra essência); a violência praticada por meninas, que armaram um ?corredor polonês? durante show da cantora baiana Ivete Sangalo para humilhar, com cusparadas e empurrões outras adolescentes; e mais recentemente a tragédia na danceteria Arena, onde um rapaz de 19 anos morreu e outros seis adolescentes foram feridos a tiros. São episódios de violência que, nos últimos dois meses, marcaram os alagoanos, principalmente os pais de adolescentes. Se já é difícil ficar tranqüilo com a violência que assola a capital, imagine ver os filhos na faixa dos 13 aos 19 anos no sagrado direito de curtir suas folgas no estudos, especialmente à noite, curtindo as festas da turma na casa de amigos, nos shows e danceterias. Diante dos fatos, os pais e toda a sociedade ficam a se perguntar o que fazer. Como resolver o impasse provocado pelo desejo dos filhos de se divertir fora de casa diante do receio que temos de permitir que saiam sem temer que sejam também vítimas de violência? A solução encontrada pelos jovens alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) foi ir às ruas cobrar do governo o cumprimento de uma das principais obrigações do Estado: a segurança pública. Eles decidiram se mobilizar em função do episódio na danceteria Arena. A festa fora organizada por alunos do 3º ano daquela instituição de ensino, como forma de obter recursos para a solenidade de formatura. Atingidos pelas balas disparadas pelas armas de alto poder destrutivo, como pistolas de calibres 9mm, 380 e 45, algumas privativas das Forças Armadas, que estavam nas mãos de Mateus Gonçalves Lopes, Ronaldo Souza e Joseney César da Silva, identificados pela Polícia Civil como criminosos violentos, os estudantes foram às ruas pedir liberdade e segurança. Em todas as famílias alagoanas há preocupação e medo diante do desejo do jovem de sair à noite. Uma legião de mães, de qualquer classe social, não dorme enquanto os filhos não chegam. Um desses exemplos é a funcionária pública municipal Givanilda Melo, residente no conjunto Benedito Bentes I, que às sextas e sábados é ?obrigada? a dormir após as 2h da madrugada, horário em que normalmente ?os meninos chegam da rua?. Os meninos são o jornalista Wagner Melo, 26, e Anderson Melo, 22, funcionário de uma empresa de segurança patrimonial. Solteiros, os dois costumam sair nas noites de sexta-feira e sábado com namoradas e amigos. Mesmo admitindo que eles são jovens e devem se divertir, Givanilda confirma que não con-segue se livrar do temor de que alguma coisa de ruim aconteça. ?O medo aumentou ainda mais com esses casos recentes e todos aqueles que vemos no noticiário policial dos jornais, rádio e TV?, afirma ela, acrescentando que não consegue ?pregar? os olhos enquanto os filhos não retornam sãos e salvos.