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Ex-gari e pescador est� sem emprego h� cinco anos

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FELIPE FARIAS Morador da quadra ?O? do Conjunto Selma Bandeira, José Geraldo dos Santos guarda suas redes de pesca, embora esteja a pelo menos 20 quilômetros do lugar em que as usava: a Lagoa Mundaú. É que há cinco anos, duas medidas adotadas pelo município acabaram com as duas opções de sustento que tinha o então gari e pescador José Geraldo, que diz não ter conseguido mais emprego com carteira assinada desde então. A primeira medida foi a regularização da extinta Companhia de Beneficiamento do Lixo (Cobel), cujos empregados foram contratados sem concurso. Co-mo se tratava de uma empresa pública, isso era irregular. A segunda foi a transferência de centenas de moradores das margens da Lagoa Mundaú para o Conjunto Selma Bandeira, na periferia de Maceió, como parte do projeto de urbanização da região. ?Toda tarde, quando eu encerrava meu turno como gari, pegava as redes e ia para a lagoa. Sempre conseguia uns três a quatro quilos de carapeba, bagre, tainha e até siri?, relembra ele. ?Dependendo da maré, a gente podia ?fazer? até R$ 20. Depois que eu vim para o conjunto, nunca mais pesquei?. Geraldo conta que, às vezes, um amigo que mora no vizinho Conjunto Frei Damião, que tem carro, o convida para pescar na Barra de Santo Antônio: ?Mas não é a mesma coisa porque lá é pesca com linha, que sempre dá menos do que com rede?. As lembranças não param por aí: ?No inverno, eu deixava a rede lá no mangue. Quando voltava, tinha oito, dez quilos. Era uma beleza; aquela lagoa é uma mãe para a gente?, relembra. A demissão da Cobel foi o mais grave que lhe ocorreu. Como os demais empregados de sua época, Geraldo não conseguiu ser aprovado no concurso promovido depois pela prefeitura para preenchimento das vagas da então recém-criada Superintendência Municipal de Limpeza Urbana de Maceió (Slum). Mas a transferência acabou com a possibilidade de remediar a situação, pescando eventualmente na lagoa. ?A distância é algo que dificulta. Quando eu acho um bico, não tenho dinheiro para o transporte. Lá embaixo, quando faltava dinheiro, era só pegar a rede e ir para a lagoa?. Seguindo sua vocação de pescador, ele construiu um tanque escavado na terra mesmo, onde mantém 35 tilápias em crescimento: ?Quando estiverem bom de comer, vão tudo para a panela?, se diverte.

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