Cidades
Desvio na Sesau: suspeito tinha privil�gio no BB
PLINIO LINS Eduardo Martins Menezes, ex-chefe de Contabilidade da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), desfrutava de ?tratamento diferenciado? no Banco do Brasil (BB) quando exercia o cargo. Menezes é apontado como o principal suspeito do desvio estimado em R$ 3,5 milhões em contas da Sesau no banco. O ?tratamento diferenciado? dado a ele foi revelado em depoimento da gerente de Contas do Governo do BB em Alagoas, Maria Emília Sandes da Silva, prestado à comissão de sindicância da Sesau que apura o desvio. A GAZETA teve acesso a trechos do depoimento da gerente. Ela também está sob investigação do Ministério Público (MP) Estadual e de uma sindicância interna do próprio Banco do Brasil. Maria Emília declarou à comissão de sindicância que ocupa desde 2002 o cargo que controla as contas do governo estadual no BB. Só a Secretaria de Saúde movimenta dez contas no BB em Alagoas, entre recursos próprios, dinheiro de convênios e verbas repassadas pelo Ministério da Saúde ? ao todo, cerca de R$ 10 milhões por mês. Fora do Siafem O desvio era feito com a transferência de recursos das contas da Saúde para contas de empresas e pessoas físicas envolvidas no esquema. As investigações identificaram, até agora, cerca de 50 empresas (entre elas empresas fantasmas) e pessoas físicas (inclusive ?laranjas?) que receberam dinheiro. As transferências eram feitas, de forma irregular, por meio de ofícios com assinaturas falsificadas de dois dirigentes da Sesau, o secretário-adjunto Jorge Villas-Boas e o diretor-financeiro Antônio Guedes Caldas. E as operações não eram incluídas no Siafem, o sistema que registra e controla as entradas e saídas de dinheiro em todos os órgãos públicos. ?Manuel da Gaita? Em seu depoimento à comissão de sindicância da Sesau, a gerente Maria Emília Sandes declarou que quem entregava esses ofícios no banco eram o próprio Eduardo Menezes e duas outras pessoas: ?Manuel da Gaita? e ?Augusto?, cujas identidades o MP apura. Os ofícios, segundo a depoente, eram entregues na recepção do BB, ?para um funcionário terceirizado?. Segundo ela, Eduardo Menezes ?estava sempre com pressa? e, talvez por isso, os ofícios eram imediatamente recebidos e aceitos. Os ofícios com assinaturas falsificadas eram entregues ao BB com ofícios contendo assinaturas autênticas, destinados a pagamento de firmas realmente fornecedoras da Sesau ? e esta era uma das estratégias do esquema. A gerente alegou à comissão que ?conferia as assinaturas?, mas, como estava acostumada a receber os ofícios, ?mesmo fora do Siafem?, não desconfiava das falsificações. Com o passar do tempo ? ainda segundo o depoimento da gerente do BB ? Eduardo Menezes passou a desfrutar de ?tratamento diferenciado? no banco: havia um funcionário destacado só para atendê-lo. Conexão BB O Ministério Público investiga ?fortes indícios? de que o esquema de desvio de dinheiro da Saúde teria conexões no Banco do Brasil. O próprio MP já colheu depoimentos de funcionários do BB que, de uma ou outra forma, tinham acesso às operações com dinheiro da Saúde estadual. A gerente Maria Emília Sandes, indagada pela comissão de sindicância da Sesau sobre se a aceitação dos ofícios fraudados configurava negligência do banco, respondeu, em seu depoimento, que essa questão está sendo tratada na investigação interna do BB.