Cidades
Cria��o de camar�o destr�i mangues no NE
DORGIVAL JÚNIOR A criação de camarões em cativeiro - além do avanço imobiliário - é um dos fatores responsáveis pelos danos nocivos causados aos manguezais. A criação de camarões em cativeiro sem respeitar as determinações ambientais previstas em lei foram responsáveis por danos ambientais sérios aos manguezais dos estados nordestinos de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que exploram o mercado em escala industrial. ?Já chegamos a ter problemas, em Alagoas, com a criação do camarão. A empresa responsável, que havia se instalado na Barra de Santo Antônio, município do litoral norte do Estado, foi punida por ter iniciado a criação sem autorização ambiental. Os responsáveis foram obrigados a efetuar a recuperação da área degradada, após terem firmado um Termo de Ajuste de Conduta?, frisou Anivaldo Miranda. O ambientalista esclareceu ainda que a criação do camarão em cativeiro, além de introduzir espécies exóticas a um ecossistema equilibrado, que dá sustentabilidade da vida marinha e fluvial, produz substâncias poluentes nocivas aos mangues que são estruturas frágeis. ?Outro problema ocasionado pela criação do camarão seria o empobrecendo a biodiversidade. Por este motivo, entre outros, existe a necessidade de que a fiscalização seja eficiente?, destacou. Projetos Segundo o ambientalista e representante do Fórum de Defesa Ambiental no Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), Roberto Lobo, o Estado de Alagoas possui apenas três projetos aprovados para a criação de camarão em cativeiro e que obedecem as normas exigidas por lei. ?A fiscalização em Alagoas é constante para que os mangues não sofram danos causados pela criação indevida do camarão. No Rio Grande do Norte, existem mais de 500 criações que causaram prejuízos sérios ao meio ambiente?, finalizou Roberto Lobo, destacando o trabalho do Cepram na proteção do meio ambiente. Desenvolvimento Ele lembrou ainda que os ambientalistas não são contra o desenvolvimento, exigindo apenas que ele ocorra de forma sustentável e sem ferir a legislação ambiental e principalmente os manguezais. Segundo Anivaldo Miranda, o Cepram é um órgão colegiado e democrático que tem a finalidade de equilibrar as necessidades do crescimento econômico, além de defender o meio ambiente. ?O conselho pode melhorar ainda mais a sua atuação. Basta adotar resoluções normativas que tornam mais eficientes a fiscalização e as ações de proteção ambiental, podendo adequar a lei dos mangues à nova realidade?, disse o ex-secretário. O coordenador de convênios do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Afrânio Meneses, informou que a agressão aos mangues ocorre quando os criadores de camarões em cativeiro acabam devastando a vegetação dos mangues para no local colocar os tanques destinados ao criadouro dos crustáceos. ?O grande problema da criação dos camarões aos mangues está também na contaminação da área, levando ao desequilíbrio do ecossistema?, frisou Afrânio Meneses.