Cidades
Promotor nega informa��o que deu � Gazeta
PLINIO LINS Na edição do último domingo, 26 de setembro, a GAZETA DE ALAGOAS publicou, como manchete da primeira página e com reportagem assinada na página E14, a informação de que o total desviado de contas da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), por um esquema de fraudes, chega a ?quase R$ 11 milhões?. A informação, diz a matéria, foi obtida ?junto a fontes que participam diretamente das investigações?. A informação sobre esse valor foi dada à GAZETA pelo promotor Sidrack Nascimento, do Núcleo da Fazenda Pública e Sonegação Fiscal do Ministério Público. Ele é o promotor que vem assumindo o comando das investigações e, nessa posição, tem dado entrevistas à imprensa sobre os resultados. A informação foi dada pessoalmente, sem gravação e sem testemunhas, ao repórter pelo promotor, em seu gabinete no Ministério Público, no fim da tarde da quinta-feira, 23 de setembro, durante entrevista em que outros fatos da investigação foram igualmente revelados. O promotor havia sido indagado sobre a seguinte questão: diante da extensão do esquema, do número de pessoas envolvidas e do tempo que duraram as transferências fraudulentas, o valor até então estimado, de R$ 3,5 milhões, não poderia ser maior? Sua resposta, agitando os braços abertos: ?São quase R$ 11 milhões!?. Ao ver o repórter anotar o valor, o promotor disse: ?Mas eu não posso declarar isso?. O repórter, então, perguntou: ?Mas o senhor confirma que esse valor de R$ 3,5 milhões pode ser multiplicado??, ao que o promotor respondeu: ?Sim, sim, pode ser multiplicado algumas vezes?. Quantas vezes? ? indagou o repórter. ?Estamos investigando?, foi a resposta. Foi isto, em resumo, o que a GAZETA publicou no domingo sobre o valor do desvio. Na quarta-feira, 29 de setembro, o promotor Sidrack Nascimento deu entrevista, na RÁDIO GAZETA AM, ao programa Ministério do Povo. Indagado sobre o valor de ?quase R$ 11 milhões? publicado no domingo anterior, disse que não confirmava essa informação e que ela era de responsabilidade da GAZETA. O promotor desmentiu a informação que ele próprio havia dado ao jornal. No dia 30, a Comissão de Sindicância Interna da Secretaria de Saúde concluiu seu relatório sobre o caso e informou que o total desviado é de R$ 3,6 milhões. Criou-se uma dúvida na sociedade entre o que a GAZETA informara no domingo e o valor divulgado pela comissão de sindicância. Na última sexta-feira, 1o de outubro, a GAZETA foi ao Ministério Público para obter esclarecimentos sobre a questão. Após uma entrevista coletiva acerca dos novos desdobramentos das investigações, o repórter ficou frente a frente com o promotor Sidrack Nascimento, na presença dos também promotores Cyro Blatter ? que participa diretamente das apurações ? e Luiz Vasconcelos, que acompanha o caso como promotor especial de investigações sobre o crime organizado. O repórter perguntou se os promotores tinham elementos sólidos para informar que o desvio chegaria a ?quase R$ 11 milhões?. Os três responderam que não ? inclusive o promotor Sidrack Nascimento. O repórter, então, disse que a situação precisava ser esclarecida. E revelou que a informação lhe fora dada pelo promotor Sidrack Nascimento, ali presente. Os promotores Blatter e Vasconcelos demonstraram surpresa. O promotor Sidrack Nascimento negou ter dado essa informação ao repórter. Mesmo depois da reconstituição de todo o diálogo que ele e o repórter mantiveram no dia 23, insistiu em negar o que havia declarado. O repórter lembrou-lhe outras informações que o promotor fornecera na entrevista e que ? a pedido do promotor, para não prejudicar as investigações ? não foram publicadas. Ainda assim, o promotor repetia que não havia dito o que efetivamente disse. O repórter apelou à honestidade do promotor e sugeriu-lhe que desse uma declaração à GAZETA, esclarecendo que a informação sobre os ?quase R$ 11 milhões? havia sido dada por ele sem ainda ter como comprová-la. Ele não concordou. Só resta à GAZETA reafirmar e sustentar que a informação sobre o valor de ?quase R$ 11 milhões? foi dada, de fato, pelo promotor Sidrack Nascimento. O bom jornalismo tem por norma preservar o sigilo da fonte quando uma informação valiosa e grave ? como é o caso ? assim o exige. Mas se a fonte transmite uma informação que posteriormente se revela não ser verdadeira, e ainda nega que a tenha transmitido, manter o sigilo seria concordar com um erro e desinformar o leitor.