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Voto desigual n�o racha fam�lias alagoanas

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FELIPE FARIAS Neste domingo, ao votar, muitas famílias vão pôr em prática um comportamento que o cientista político e pesquisador Sávio Almeida considera uma ?caixa-preta? do processo eleitoral: cada integrante da família ter seu próprio candidato. ?No interior, por exemplo, entre as pessoas mais humildes, o mais comum é haver uma prevalência da afinação; ou seja, a família vota junta, num mesmo candidato?, diz. Não é o que ocorre em centros maiores, como a capital Maceió. O casal Roberto Marinho e Valdira da Silva Lima é um exemplo. Moradores do Jacintinho, ele é eleitor de Ricardo Barbosa, do PSTU; ela, de Cícero Almeida. ?Cada um tem sua opinião e respeita a do outro?, explica Valdira. ?Não é porque alguém é esposo, esposa ou filho que deve ser obrigado a votar no mesmo candidato?, endossa Roberto. Já o irmão de Roberto, Alan, vota em Alberto Sextafeira. A situação é ainda mais plural na casa dos Feijó de Lima, em Bebedouro, na qual o pai, Cícero Feijó, a esposa, Maria das Dores, e um dos filhos, José Donisete, votam no candidato Cícero Almeida; as filhas Alcione e Solange e um filho desta, Tiago, são eleitores do candidato José Wanderley. Mas os filhos de Alcione, Anderson, Aparecido e Alison votam no candidato Alberto Sextafeira. ?Mas, se você considerar a família toda, aí vai aparecer eleitor de todos os cinco candidatos que estão disputando a prefeitura. E ainda existem aqueles que vão votar em branco ou anular e os que ainda não se decidiram?, explica outro filho, André. Ou seja: a família incorpora todos as possibilidades presentes numa pesquisa de opinião eleitoral. Caixa-preta Das pesquisas de opinião que realiza para alguns candidatos, no interior, o historiador e cientista política Luís Sávio de Almeida apurou que a situação mais comum é da unificação do voto entre seus membros, sobretudo entre famílias mais humildes. O que praticamente torna impossível escapar do trocadilho: família que vota unida... permanece unida. ?Mas há um sistema de decisão que leva tanto a uma situação como à outra; que, no entanto, ainda é uma caixa-preta?, explica. Para ele, o que faz com que o mecanismo de tomada de decisão em direção a um candidato ou a outro permaneça como uma ?caixa-preta? é o fato de que o processo ainda é pouco estudado no país. Para o historiador, uma das razões é a falta de interesse dos candidatos em se aprofundar nos detalhes desse mecanismo. ?A maioria só se interessa em descobrir em quem a pessoa decide votar, mas não em como é o mecanismo pelo qual ela toma essa decisão. O candidato que descobrir isso certamente vai ter muitos votos?, garante. Diante da falta de informações, ele diz que não se pode sequer fazer associações entre esse tipo de comportamento e indicadores como nível de esclarecimento, faixa de renda ou detalhes da composição da família. Razões de cada um ?Falar que o nosso candidato é o melhor, a gente até que fala; mas nunca chegou a haver discussão por causa disso?, garante a vendedora Valdira da Silva Lima. O marido Roberto dá um exemplo desse respeito: ?Além de nunca ter havido nem uma discussão política mais acalorada, um jamais tentou convencer o outro a mudar seu voto; o que acontece é, no máximo, um explicar para o outro as razões de ter escolhido aquele candidato?. Já na família Feijó de Lima, a variedade é ainda maior. Seus integrantes garantem que, considerando os trinta eleitores que compõem o clã, há eleitores de todos os concorrentes à vaga de chefe do Executivo municipal. Foram as questões políticas que levaram à decisão do patriarca, Cícero, e de seu filho José Donisete, de votar em Cícero Almeida. Já o que motivou o voto da filha Alcione no candidato José Wanderley é o fato de sua mãe, Maria das Dores, ter sido paciente do cirurgião.

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