População
ALAGOAS É O 4º DO NE COM MAIS MULHERES DO QUE HOMENS, DIZ IBGE
Apesar de maioria, pessoas do sexo feminino ainda precisam conquistar mais espaços e discutir temas como violência doméstica
“Ô Maceió, é três mulé prum homem só”. Como canta Djavan, em sua música intitulada Alagoas, as mulheres são mesmo maioria por aqui. Um fato histórico, que é referendado pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma pesquisa divulgada neste mês de julho, por exemplo, apontou que, em 2021, o estado tinha uma população formada por 3.358 milhões de habitantes, dos quais 1.607.000 eram homens e 1.751.000 eram mulheres, uma diferença de 144 mil pessoas entre os dois sexos.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual, que traz dados de dez anos seguidos, de 2012 a 2021, mostra que, dentro desse espaço de tempo, o ano passado foi o que apresentou a maior diferença entre o número de pessoas dos dois sexos. Em 2020, a diferença era de apenas 98 mil pessoas. Em 2019, de 82 mil. Já a menor diferença foi registrada no ano de 2013, com apenas 67 mil mulheres a mais que homens no estado.
O IBGE também traz outros dados do perfil populacional, como a raça. Em Alagoas, a maioria da população é parda, com um total de 2.168 milhões de pessoas, das quais 1.033 são homens e 1.135 são mulheres. O estado também conta com 949 mil brancos, sendo 452 mil homens e 498 mil mulheres. Surpreendentemente, os pretos são minoria e formados, em sua maioria, por pessoas do sexo masculino. Segundo o IBGE, são 209 mil pretos no estado, sendo 108 mil homens e 100 mil mulheres.
No Nordeste, todos os estados apresentam maior número de mulheres. Alagoas ocupa a 4ª posição entre os que têm maior disparidade entre os sexos, com 144 mil pessoas do sexo feminino a mais. Os que apresentam diferença maior são Bahia (480 mil), Ceará (426 mil) e Pernambuco (268 mil).
Em âmbito nacional, elas também são maioria. O país conta com 212.650 habitantes, dos quais 103.946 milhões são homens e 108.705 são mulheres. Apenas seis estados apresentam uma maior quantidade de homens no seus quadros populacionais, sendo a maioria deles da Região Norte: Pará, Acre, Amazonas, Tocantins, Santa Catarina e Mato Grosso.
POUCO ESPAÇO
Apesar de serem maioria, as pessoas do sexo feminino ainda precisam conquistar muitos espaços para serem tratadas da mesma forma que os homens em diversos espaços, como os de trabalho. A jornalista Raíssa França, defensora do feminismo e empreendedora da área, destaca a ausência de mais mulheres nos espaços de poder, por exemplo. “Nós somos maioria, mas não somos maioria nos espaços de poder. Na política, por exemplo, temos uma Câmara e uma Assembleia com poucas mulheres; nos cargos de chefias de grandes empresas também são poucas mulheres; no Judiciário, a situação ainda é pior porque só temos uma mulher desembargadora. Então se somos maioria, por qual motivo não estamos nesses espaços? Algo não está certo. O cenário não é positivo para as mulheres. É um cenário machista. Ser mulher é desafiador e cansativo. Nós ainda vivemos uma onda de casos de violência e feminicídios, somos ignoradas em nossos pleitos e precisamos usar a voz”, afirma.