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Dez mil pessoas sobrevivem do complexo lagunar

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Calcula-se que cerca de 10 mil pessoas que vivem às margens das lagoas Mundaú e Manguaba dependem da biodiversidade oferecida pelo ecossistema, mas a reprodução da vida que se transforma em alimento e renda para a população ribeirinha vem decaindo, prejudicada por agentes degradadores, como a poluição industrial e a ocupação desordenada no entorno do complexo estuarino, não só em Maceió como nos municípios de Marechal Deodoro, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco, Satuba e Pilar. Os técnicos preferem esperar a radiografia que os estudos vão traçar, para indicar com firmeza os principais problemas que afetam as lagoas, os agentes causadores, suas conseqüências e as soluções viáveis, mas as apostas sempre se antecipam, até porque, para muita gente a situação não é mistério. Na opinião do superintendente da Agência Nacional das Águas (ANA), João Lotufo, a falta de saneamento é o problema mais visível, e, embora a solução custe muito dinheiro, tecnicamente não é difícil de ser resolvido. ?É preciso ter consciência disso. Esse é o princípio?, observa, destacando o fato de Alagoas ter conseguido os recursos para o saneamento de cidades do interior, localizadas às margens de rios que deságuam nas lagoas. Para os pescadores, vítimas mais imediatas e conhecedoras dos problemas das lagoas, as questões mais urgentes são a poluição e o assoreamento. ?Antes o canal era bem mais profundo; dava mais peixe. Hoje os bancos de areia prejudicam a pesca?, diz Fernando Valois, 32 anos, pescador desde os 18. A solução, na sua opinião, é fácil: ?Nem precisa de planejamento, basta dragar a lagoa. Todo mundo fala nisso mas ninguém faz?, lamenta. Nos últimos tempos Valois trocou a lagoa pelo mar, onde o pescado, na sua opinião, é mais farto e comercialmente mais valorizado. O pescador Moisés Antônio nasceu e se criou na beira da Lagoa Mundaú, no Pontal da Barra, e de lá tirou o sustento da família até os 35 anos de idade, quando arrumou um emprego e a pesca passou a ser complemento. Hoje, aos 71 anos, morando no mesmo local, ele lamenta os efeitos da poluição, trazida pela indústria, pelos rios e pelos próprios moradores. ?Sou do tempo em que esta lagoa era farta de carapeba, camurim e tainha?, diz ele. (FA)

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