Cidades
Menina morre ap�s afogamento em passeio escolar
FÁTIMA ALMEIDA FERNANDO COELHO O que seria um alegre passeio para comemorar a Semana da Criança entre familiares, alunos e professores da escola São Francisco de Assis, situada no Vergel do Lago, acabou em tragédia no último fim de semana. A menina Jéssica Carla dos Santos, 12 anos, morreu no Pronto-Socorro e Maternidade de Coruripe, horas depois de um afogamento em Duas Barras, no município de Jequiá da Praia, litoral sul de Alagoas. Os familiares da menina apontam a ?demora no socorro? dos salva-vidas e ?negligência médica? no hospital em que foi internada como as causas do falecimento. ?Ela chegou no hospital com vida, estava com a respiração fraca, mas os médicos nem tentaram reanimá-la?, disse a mãe, Eneida Miguel dos Santos, que é auxiliar de enfermagem. Jéssica foi enterrada, às 16 horas de ontem, no Cemitério São José, no bairro do Trapiche. O carisma da jovem estudante mobilizou dois ônibus, uma van e vários carros para seu funeral. Em uma infeliz coincidência, o mesmo colégio onde a jovem começou a estudar, cursando até a 4ª série do primário, promoveu, indiretamente, a fatalidade de sua morte. Passeio fatal No último domingo, Jéssica participava de uma excursão organizada por sua ex-escola e atual da irmã, Letícia Carla dos Santos, de 9 anos, que também a acompanhou com a mãe. A garota tentou alcançar a outra margem do rio que corta a praia enquanto tomava banho com a colega Railene Lins da Silva, de 10 anos, que escapou por pouco. ?Eu tinha falado para ela não tentar passar porque nós já tínhamos tentado e não conseguimos?, relembra a mãe. Amiga salva Railene foi salva por pescadores quando estava sendo puxada pela força da maré. Era arrastada também pela própria Jéssica, que no desespero segurou no seu pé quando estava em agonia debaixo da água. Railene recebeu alta ontem do Hospital de Pronto-Socorro, mas sua mãe, Frankcilene Lins, estava inconsolável no velório da amiga. ?Quando penso que poderia estar enterrando a minha filha?, disse ela, entre lágrimas. Foi a primeira vez que Railene participou de um passeio escolar e, em estado de choque, sua família já fechou a questão: ?Foi também a última vez?. Jéssica não teve a mesma sorte. Após aproximadamente uma hora de buscas, a jovem também foi encontrada pelos pescadores alguns metros adiante, na parte rochosa de quebra-mar. ?Os pescadores tiveram mais preocupação em resgatar minha filha do que os salva-vidas?, relata a mãe. Eneida dos Santos não se conforma com a falta de preparo dos vigilantes da praia e afirma que quando a comitiva de cinco ônibus chegou em Duas Barras, os salva-vidas estavam numa pousada e demoraram a chegar. ?Tinha três Jéssicas no passeio. Em pouco tempo, tinha uma professora perguntando de mãe em mãe, se tinha alguma filha chamada Jéssica: era pra avisar que minha filha tinha se afogado?.