Cidades
Para entender o caso: rombo foi levado a p�blico em julho
A investigação ?agregou? dois outros promotores ao trabalho desenvolvido inicialmente por Sidrack Nascimento: Cyro Blatter, representante do Ministério Público numa Vara de Fazenda Pública, e Luiz Vasconcelos, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, que se integrou ao grupo depois que as investigações mostraram que o esquema envolve ?uma rede? de pessoas e empresas, como definiu Nascimento. Uma parte dos envolvidos está relacionada na ação a ser impetrada na Justiça Estadual, na qual figuram, por exemplo, Eduardo Menezes; o filho dele, Eduardo Mmenezes Filho; o ex-secretário de Obras de Feliz Deserto, Moacir Araújo, e o Banco do Brasil. Outra parte vai figurar na ação contra a Caixa, que será impetrada na Justiça Federal, porque a instituição é vinculada a essa esfera de governo. O esquema O caso, que ficou conhecido como o rombo da Saúde, teve início em 20 de julho, com a denúncia, feita pelo próprio secretário Álvaro Machado, de que a pasta havia sido alvo de um desfalque, estimado à época em cerca de R$ 500 mil. Mecanismo O mecanismo usado pelos autores do esquema era relativamente simples, justamente porque muito irregular. Menezes, pai, ia à agência do Banco do Brasil que opera as contas da Secretaria com ofícios que autorizavam a transferência de recursos públicos para contas de terceiros. Esses ofícios eram supostamente de autoria de dois dirigentes da Sesau que tinham competência para efetuar pagamentos. O secretário adjunto, Jorge Villas Bôas, a segunda pessoa no órgão depois de Machado, e o diretor administrativo e financeiro, Antônio Guedes Caldas. As assinaturas de ambos nos ofícios eram falsificadas. Em depoimento à comissão de sindicância instaurada pelo secretário para apurar o rombo, a gerente da agência do BB que opera as contas da Secretaria de Saúde, Emília Sandes, confirmou que a pessoa que levava os ofícios era Eduardo Martins Menezes, que tinha ocupado o cargo de chefe da Contabilidade da Secretaria e foi exonerado pouco antes de o caso chegar a público. Dinheiro O Ministério Público entrou no caso, requisitou documentos à comissão de sindicância e tomou depoimentos. Suas apurações mostraram que o dinheiro que Menezes transferia com os ofícios das contas da Secretaria ia para 21 empresas cujos titulares tinham sido arregimentados, pelo menos em parte, por Moacir Beltrão Araújo, para cedê-las justamente para receber o dinheiro, em troca de um percentual. Seus titulares, por sua vez, sacavam o dinheiro e o repassavam a Eduardo Martins Menezes Filho, filho do ex-chefe da Contabilidade da pasta. (FF)