Cidades
Laudo aponta risco de desabamento em pr�dio
DORGIVAL JUNIOR Laudo da Prefeitura de Maceió pede a retirada imediata das 30 famílias que habitam o prédio Athenas, localizado na Rua Zacarias de Azevedo, bairro do Prado, e a reforma imediata da estrutura. O laudo alerta para o risco iminente de desabamento, em conseqüência das rachaduras e fissuras nas paredes, tetos e piso. Caso medidas não sejam adotadas, o edifício pode ser interditado. As famílias vivem com medo, mas alegam que não têm para onde ir. O temor aumenta ainda mais quando pensam na tragédia ocorrida há cinco dias, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife, onde o edifício Asa Branca desabou após apresentar problemas semelhantes na estrutura física. ?Estamos aflitos, mas de mãos atadas. Se hoje estamos sofrendo com este problema foi pela total falta de interesse dos proprietários dos apartamentos em cuidar da manutenção do prédio. Agora, as conseqüências são mais graves. É muito arriscado. Moramos de aluguel?, disse o farmacêutico, Cícero Cosmo. Intervenção imediata Todas as informações constam num laudo expedido por uma comissão formada por três engenheiros da Prefeitura de Maceió que estiveram no local, no começo da semana, fazendo um levantamento das condições estruturais do bloco de apartamentos. Os engenheiros determinam, no laudo técnico, que seja iniciada nos próximos quatro dias uma intervenção imediata no prédio, além de ser aconselhada a retirada de todos os moradores. Rachaduras Com 30 apartamentos e dividido em dois blocos, o Athenas encontra-se localizado em uma área de terreno arenoso e está com várias rachaduras em sua estrutura física. ?Em várias colunas de sustentação pode ser visto que a ferragem está exposta e deteriorada pela maresia, além de algumas áreas onde o concreto também está danificado?, constatou o diretor do departamento de fiscalização da Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano de Maceió e membro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Sebastião Ernesto dos Santos. ?Se nada for feito, o prédio pode desabar a qualquer momento. A estrutura tem mais de 20 anos e não sofreu reparos necessários para a sua manutenção?, completou Santos. Retirada na Justiça Na próxima segunda-feira os representantes da comissão retornam ao prédio para checar se alguma ação foi desencadeada pelos proprietários dos apartamentos e pelo síndico. ?Quanto à retirada das famílias só a Justiça pode determinar. Nós comunicamos o fato, aconselhando a saída imediata dos moradores para que não ocorra uma tragédia semelhante à de Pernambuco?, adiantou o engenheiro. Apesar dos riscos que estão correndo, os moradores alegam que não têm para onde ir e afirmam que só sairão do prédio se forem obrigados. A maioria dos apartamentos é destinada à locação e apresenta rachaduras internas. ?Há apartamentos que não se pode lavar nem o piso. A água acaba caindo na sala do vizinho do andar de baixo?, frisou uma das moradoras do Athenas, Fátima dos Santos, acrescentando que foi informada do risco de desabamento do prédio. ?Mas não tenho outro lugar para morar?, afirmou. Os moradores informaram ainda que o problema de estrutura do prédio vem se arrastando ao longo dos últimos anos. ?Em maio passado os moradores resolveram se juntar e iniciar a obra de recuperação. Como nem todos pagaram a construtora, que já havia sido contratada e já tinha colocado os andaimes na área externa do prédio, a empresa desistiu de dar início à obra?, disse o universitário Márcio Matos, outro morador. Márcio alegou que cada proprietário deveria pagar a taxa de aproximadamente R$ 1 mil para que a recuperação do prédio fosse executada. O síndico não foi encontrado no local. A GAZETA também tentou contactá-lo por meio de telefone, mas ele também não respondeu.