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Sombra diz que foi pago para dar depoimentos

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PLINIO LINS CÉLIO GOMES José Antônio dos Santos, o Sombra, disse que ganhou dinheiro das duas coligações que disputam o segundo turno da prefeitura de Maceió para gravar os dois ?depoimentos espontâneos? que foram ao ar no guia eleitoral esta semana. Pela lei, isso pode configurar crime eleitoral de ambas as coligações, por abuso do poder econômico. No primeiro ?depoimento?, levado ao ar na quinta-feira (21), no programa do candidato Alberto Sextafeira (PSB), Sombra acusava o empresário e deputado federal João Lyra (PTB) de ser mandante do assassinato do tributarista Sílvio Vianna, em outubro de 1996. No dia seguinte (sexta-feira 22), Sombra apareceu de novo no guia eleitoral ? desta vez no programa do candidato Cícero Almeida (PDT), em outro ?depoimento espontâneo?, desta vez dizendo que ?não pode afirmar? que João Lyra está envolvido no caso Vianna. A GAZETA apurou ontem, em mais de uma fonte, que José Antônio dos Santos, o Sombra, disse ter recebido R$ 7 mil do comitê de Sextafeira para gravar o primeiro ?depoimento? e R$ 10 mil do comitê de Cícero Almeida para dar o segundo depoimento, que desmente o primeiro. As duas gravações teriam sido feitas em Maceió, onde ele estava pelo menos até quarta-feira (20), aguardando o processo de sua inclusão, pelo governo de Alagoas, num programa estadual de proteção a testemunhas. Confissão Na noite de quinta-feira 22, Sombra estava em Recife (PE), para onde tinha viajado sem conhecimento das autoridades que tratam de sua proteção. Viajou para a capital pernambucana depois de gravar os dois ?depoimentos? para o guia eleitoral. Lá, ele procurou uma delegacia da Polícia Federal, contou a história de sua participação no julgamento do caso Vianna e disse que se sentia ?ameaçado e perseguido? em Recife. Queria dar declarações e receber proteção. Foi encaminhado a uma delegacia da Polícia Civil, onde deu um primeiro depoimento, durante a madrugada. Na manhã de sexta-feira 22, encaminharam-no ao Ministério Público. O MP pernambucano entrou em contato com o promotor alagoano Luiz Vasconcelos, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado do MP de Alagoas. Vasconcelos orientou os promotores a tomar as declarações do Sombra por escrito e registrá-las em áudio e vídeo. Isso foi feito. O depoimento foi dado, segundo Vasconcelos, a promotores de Pernambuco, um delegado da Polícia Federal e outro da Polícia Civil. Nesse depoimento, Sombra teria confessado que recebeu dinheiro dos dois comitês para dar as declarações que apareceram nos programas de Sextafeira e Almeida na TV. A GAZETA foi informada de que Sombra teria mostrado o dinheiro que recebeu, mas não há confirmação. Na mesma sexta-feira, o Ministério Público de Pernambuco encaminhou as transcrições dos dois depoimentos e a fita de vídeo e áudio para o promotor Luiz Vasconcelos. Sombra foi recambiado para Maceió e recolhido a dependências de uma instituição policial. O promotor Luiz Vasconcelos disse ontem à GAZETA que não podia confirmar se Sombra, no depoimento ao MP de Pernambuco, confessou ter recebido dinheiro. Funcionalmente, ele não pode dar esse tipo de informação. Vasconcelos disse que ontem mesmo estaria encaminhando toda a documentação do depoimento ao Ministério Público Eleitoral (MPE), ao promotor Marcus Mousinho ? que atua no caso Vianna ? e ao procurador-geral Dilmar Camerino. Segundo Vasconcelos, só o MPE poderá se pronunciar sobre eventual crime eleitoral. Coligações negam A coordenação da campanha do candidato do PDT, Cícero Almeida, disse à GAZETA, por telefone, no início da tarde de ontem, que ?desconhece qualquer coisa a respeito de pagamento para ouvir o Sombra no programa eleitoral?. Segundo o jornalista Roberto Lopes, assessor de imprensa do candidato, ?para nós da campanha, a informação verdadeira é que ele [Sombra] deu um depoimento espontâneo?. Um dos coordenadores da campanha de Almeida, Luiz Alberto, também afirmou que o depoimento de Sombra ao programa do PDT ?foi espontâneo?. Os assessores de Almeida também disseram que o autor da denúncia ?não tem credibilidade?. ?Todo o povo de Maceió já viu que esse Sombra diz uma coisa hoje e outra amanhã; fala e desmente o que ele mesmo afirma, não tem credibilidade?. A assessoria da campanha disse também que ?não sabia? sobre o depoimento de Sombra ao Ministério Público de Pernambuco, afirmando que recebeu dinheiro dos candidatos para falar no Guia Eleitoral. Os dois integrantes da campanha ? Lopes e Luiz Alberto ? disseram que estavam recebendo essa informação da reportagem. O jornalista Rui França, um dos coordenadores da campanha do candidato do PSB, Alberto Sextafeira, disse que ?não faz o menor sentido a acusação de pagamento para o depoimento do Sombra?. Segundo França, a testemunha do caso Vianna ?procurou? a equipe do PSB dizendo que queria fazer denúncias contra Cícero Almeida. ?Ele ligou para a gente dizendo que estava em Maceió e queria fazer uma denúncia?. França disse que o depoimento no programa eleitoral foi ?um pedido do próprio Sombra?. ?Em nenhum momento falamos em dinheiro, isso não existe; até porque tudo o que ele disse a nós ele falou naquele depoimento à Justiça, que as televisões mostraram. Então, nem fazia sentido pagar por alguma coisa que a gente já tinha?, disse Rui França. Ainda segundo França, na quinta-feira, Sombra ligou para ?o nosso pessoal?, dizendo que estava no aeroporto de Maceió ?e estava vendo uns pistoleiros?. O jornalista disse que o fato foi comunicado à Polícia Federal, que teria se deslocado para o local.

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