Cidades
Agricultora de Palmeira vai � guerra no Haiti
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? A agricultora alagoana Josenilda Leobino Dantas, 26 anos, vai à guerra no próximo mês. Residente num povoado da zona rural de Palmeira dos Índios, a agricultora é uma das duas integrantes do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) escolhidas em todo o país para integrar a delegação de 15 voluntários que serão enviados ao Haiti (no Caribe, o país mais miserável da América Latina) pela Via Campesina, entidade internacional que congrega diversos movimentos sociais de todo o mundo. O objetivo da ?missão camponesa?, apoiada pelo governo federal, é desenvolver trabalhos de assistência social voltados para a população haitiana, vítima de um conflito interno encarniçado que envolve grupos guerrilheiros que, depois da deposição do presidente Jean-Marie Aristide, combatem as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). A força militar da ONU é comandada pelo Brasil, que enviou 1.200 militares para lá. Como se a guerra e todas as suas mazelas já não bastassem, o povo haitiano ainda sofre as conseqüências de um violento furacão que varreu o país no final de setembro ? um dos mais devastadores que já passaram pelo Caribe. Milhares de pessoas morreram no país, e outras centenas de milhares ficaram sem moradia. Desafio ?Assustei-me com a idéia de abdicar da tranqüilidade em Palmeira para viajar ao cenário de uma guerra civil. Analisei a questão e decidi aceitar o desafio de contribuir para o progresso de uma população muito sofrida?, explicou Josenilda Leobino Dantas, que reside no povoado Craíbas Dantas, na zona rural de Palmeira dos Índios, e atualmente trabalha como agente comunitária de saúde pública. Integrante do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) ? organização nacional com representação em Alagoas ? a agricultora palmeirense recebeu convite para viajar ao cenário da guerra civil no Haiti por meio da coordenação nacional da Via Campesina, um movimento internacional que supervisiona organizações campesinas de médios e pequenos agricultores, trabalhadores agrícolas, mulheres e comunidades indígenas da Ásia, África, América e Europa. Luta social Aos 26 anos, Josenilda tem pouco mais de 1,50 metro e pesa apenas 47 quilos. A pouca idade e a aparência de figura frágil enganam os desavisados: a agricultora tem língua afiada quando o assunto são as dificuldades por que passam camponeses de todo o Brasil. ?O processo de luta pelos direitos sociais se desenvolve de forma muito lenta em nosso país?, critica a militante. A ?vasta experiência? na chamada guerrilha social travada há mais de dez anos com os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um dos motivos pelos quais recebeu convocação para viajar ao cenário da guerra civil em que vive a população do Haiti. ?A experiência com os movimentos sociais contribuiu para minha escolha e servirá de subsídio para meu trabalho no Haiti?, diz Josenilda. Lei mais na página E17