Cidades
Eduardo Menezes teria usado da confian�a de �funcion�rios do BB para fazer transfer�ncias
FELIPE FARIAS O que pode ocorrer com os funcionários do Banco do Brasil no caso do rombo na Secretaria de Saúde é a aplicação de punições gradativas, pesadas para uns e brandas para outros. Entretanto, pelas rígidas normas de conduta da instituição, mesmo estas últimas são motivo de apreensão: é que uma advertência resulta em perda da comissão, ou seja, do cargo de confiança. Seja um gerente ou caixa executivo, por exemplo, o funcionário alvo dessa punição, na prática, é rebaixado ? e não apenas a um degrau abaixo do que ocupa, mas ?ao marco zero?, como se estivesse entrando agora no banco. Tem-se como certo, porém, que a direção sabe que não houve trama entre os funcionários do banco e Eduardo Menezes. Se houvesse pelo menos um indício, por menor que fosse, já teria havido demissão sumária. A previsão nos corredores e gabinetes é de que a gerência de pessoal dê um veredicto em cerca de um mês, tão logo o banco entre na Justiça contra os autores da fraude. ?Pulo do gato? A confiança adquirida perante os funcionários do BB, por causa da condição de chefe do setor de Contabilidade da Secretaria de Saúde, teria sido o ?pulo do gato? usado por Eduardo Menezes para efetuar as transferências com ofícios falsificados de Antônio Guedes e Jorge Villas Boas, que podem autorizar pagamentos e que resultaram no desfalque milionário. Essa confiança era tanta que Eduardo Menezes ia pessoalmente levar os documentos à agência que detinha as contas da Sesau. A isso some-se dois outros fatores, conforme apuraram a comissão de sindicância da Secretaria, a auditoria interna do banco, e relatou, em depoimento ao Ministério Público, a gerente Emília Sandes, responsável pelas contas do órgão na agência. A ?pressa? que Eduardo Menezes aparentava, sempre que ia levar os ofícios, e a falha na conferência das assinaturas, por parte dos funcionários do BB ? esta última motivada por essa pressa e justificada pela confiança. Segundo apurou o MP, Eduardo Menezes ia ao banco com os ofícios autorizando as transferências de recursos repassados pelo Ministério da Saúde, que estavam nas contas da Sesau, para as contas de terceiros. Do BB, o dinheiro ia para a conta de 21 empresas de Alagoas e Sergipe. Segundo o MP, em troca de ceder a conta para receber o dinheiro, seus titulares ganhariam uma comissão. Depois que o dinheiro ?chegava?, eles sacavam e o entregavam a Eduardo Menezes Filho, cuja esposa, Jeane Valéria Lima, foi secretária de Ação Social de Feliz Deserto.