loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Bolsa-Fam�lia exclui mais de 150 mil em Alagoas

Ouvir
Compartilhar

FÁTIMA ALMEIDA Alagoas tem 344.428 famílias que, pela situação de pobreza, deveriam estar participando dos programas de transferência de renda do governo federal. A estimativaapresentada pela Secretaria Estadual de Assistência Social, baseada no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, tem como referência as famílias cuja renda por pessoa é inferior a R$ 50,00 (renda per capita). Ainda segundo a secretaria, cerca de 275 mil dessas famílias se cadastraram para receber o Bolsa-Família, mas o programa só chegou, até agora, para 190.744 famílias, pouco mais da metade dos que deveriam ser beneficiados. O restante vai sobrevivendo bem abaixo da linha de pobreza, enquanto aguardam o tão sonhado cartão que asseguraria uma renda entre R$ 15 e R$ 95 por mês. Parece pouco, mas, para muitas dessas famílias, constitui algo mais do que a renda conseguida no mês, com ?biscates? no mercado de trabalho informal. Retrato da exclusão A família de Manoel Leôncio e Maria do Socorro Félix soma os trocados que consegue ganhar durante um mês de trabalho no Lixão de Mangabeiras. ?Do jeito que está, cheio de gente, às vezes não dá pra tirar nem R$ 100. Fica na base de R$ 20, R$ 25 por semana?, diz Manoel. Cercada de filhos na faixa entre 2 e 15 anos de idade, Maria do Socorro é o retrato da exclusão. Dois filhos de 10 e 12 anos cursavam a 2a série do ensino fundamental, mas deixaram a escola. ?Acabou-se o caderno e não sobra dinheiro para comprar outro?, justifica a mãe. Os olhos de Manoel Leôncio ficam vermelhos. Parece que vai chorar quando fala na miséria que habita seu barraco, na favela da Vila Emater. ?Tem dia que a gente come, tem dia que não dá?. Há cerca de três anos (o filho mais novo nem era nascido), o casal fez o cadastro no posto de saúde, para um desses programas, que nem lembram mais qual foi. Há um ano, foi feito novo cadastro no próprio Lixão. Manoel já foi várias vezes procurar o benefício que nunca saiu. A falta de informação é um mal quase tão grande quanto a falta do dinheiro, segundo Antônia Lúcio dos Santos. Por causa dela, já gastou dinheiro para ir até a Caixa Econômica várias vezes, e já passou a noite no Cepa, quando soube que estavam entregando cartões. Queria saber se o seu estava lá. ?Ninguém diz nada, se vai chegar, por que não chegou, se precisa corrigir alguma coisa no cadastro?, reclama. Com três filhos entre dois meses e 6 anos de idade, sem marido e sem emprego, Antônia tem contado com a ajuda da mãe para sobreviver e alimentar a prole.

Relacionadas