Cidades
BB avisa que quer dinheiro do rombo de volta
FELIPE FARIAS Tão logo conclua a devolução dos R$ 2,567 milhões desviados das contas da Secretaria de Saúde (Sesau) em sua agência, o Banco do Brasil (BB) deve pedir para que seja admitido como parte interessada na ação por improbidade administrativa que o Ministério Público impetrou na 3ª Vara da Fazenda Estadual esta semana. ?Vamos tentar recuperar esse dinheiro e, para isso, ficaremos ao lado do MP nessa ação?, confirmou o chefe do setor jurídico da superintendência do banco em Alagoas, Anito Rocha. No mesmo dia em que a ação foi impetrada, ele apresentou ao juiz da 3ª Vara, Manoel Cavalcante de Lima Neto, petição formalizando a devolução do dinheiro, que deve estar nas contas da Sesau depois do dia 29. Com isso, o banco foi excluído da condição de envolvido na ação, pelo Ministério Público ? do qual recebeu elogios, assim como do secretário de Saúde, Álvaro Machado. A devolução é uma praxe quando se trata de clientes do porte da Secretaria de Saúde, em cujos casos o banco constata que a falha foi sua. Mas, enquanto a Secretaria praticamente já foi ressarcida dos danos causados pelo desfalque (embora continue faltando R$ 1 milhão desviado das contas na Caixa Econômica), o BB acabou arcando com o rombo. Entretanto, Rocha admite que o ressarcimento pela via judicial deve levar tempo. Bem mais cedo, porém, o próprio banco deve adotar as medidas em relação aos seus funcionários lotados na agência do setor público que detém as contas da Sesau e na qual ocorreram as transferências fraudulentas que teriam sido cometidas por Eduardo Menezes. A auditoria feita por três investigadores destacados de Brasília já foi concluída e seu relatório encontra-se na Gerência de Pessoal da direção do banco. É lá que fica a comissão de ética que vai analisar a medida a ser aplicada aos gerentes e caixas que atuaram no caso. Uma conclusão considerada fundamental, do ponto de vista dos empregados, é a de que não houve conluio ou dolo da parte deles. Ou seja: os auditores confirmaram que os funcionários do banco não agiram com Menezes. Mas, o clima na instituição, segundo apurou a GAZETA, é de que ?tudo pode acontecer?. O mecanismo utilizado pelo Banco do Brasil para ingressar na ação impetrada pelo Ministério Público será uma petição, segundo informou o chefe do setor jurídico da superintendência em Alagoas, Anito Rocha. No documento, os representantes legais da instituição devem solicitar que o banco seja admitido na ação por improbidade administrativa como parte interessada, ?possivelmente na condição de assistente? do Ministério Público. Rocha previu que a medida deve ser tomada tão logo seja efetuado o pagamento dos R$ 2,5 milhões ressarcidos à Secretaria de Saúde. ?Assim que for feito o pagamento, começaremos a nos movimentar?, disse. Na prática, o BB devolveu o dinheiro à Sesau porque reconheceu que o erro foi seu de efetuar as transferências irregulares a pedido de Eduardo Menezes. Também pesa o fato de o caso envolver um cliente de grande porte, como a secretaria. Mas, acabou absorvendo o desfalque. ?Vamos tentar recuperar o dinheiro?, confirmou ele.