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MS faz pesquisa para combater tracoma em escolas de Alagoas

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FÁTIMA ALMEIDA O Ministério da Saúde (MS), em parceria com a Secretaria Executiva de Saúde (Sesau), está fazendo uma pesquisa em escolas de Alagoas para identificar e combater os casos de tracoma, uma doença que afeta os olhos e confunde-se com a conjuntivite, podendo, a longo prazo, provocar seqüelas graves, como cegueira, se não for tratada. O Ministério já detectou, por amostragem, que cerca de 4,9% dos alunos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental sofrem com a doença. O índice está dentro da média nacional, que é de 4,5%, segundo o oftalmologista Hiroshi Tanaka, um dos maiores especialistas no assunto, examinador do Ministério da Saúde que está em Alagoas. Mas essa média levou o MS a realizar uma busca ativa em todo o Brasil e a dar mais atenção ao problema. Desde 2000, já foram avaliados 12 estados. Atualmente os exames estão sendo feitos em escolas públicas de Alagoas, Tocantins e Santa Catarina. O levantamento é feito por amostragem, em parceria com a Sesau, que já está trabalhando no caso há cerca de três semanas. Ontem, os técnicos fizeram exames em crianças das escolas Virgílio de Campos, na Ponta da Terra, e Pedro Teixeira de Vasconcelos, no Feitosa, numa média de cerca de 200 crianças por escola. As unidades e as crianças são escolhidas por sorteio. A meta para Alagoas, segundo a coordenadora do programa na Sesau, Jean Lúcia dos Santos, é de 7.200 crianças. Até o momento, cerca de seis mil já foram examinadas, inclusive em metade dos municípios do interior alagoano. Em 47 deles foi detectada a doença, com maior incidência no município de Junqueiro (23% das crianças examinadas), segundo informações da Secretaria. Sintomas De acordo com o médico Hiroshi Tanaka, o tracoma é uma doença infecciosa e contagiosa. É um tipo de conjuntivite provocada pela bactéria Clamídia Tracomatis, transmitida pelo contato com a pessoa infectada, ao compartilhar toalha, fronha, objetos pessoais e até por meio de mosquitos, que podem levar a secreção do olho de uma pessoa para outra. No início os sintomas são os mesmos da conjuntivite: vermelhidão nos olhos, coceira, lacrimejamento, produção excessiva de remela e sensibilidade à luz. As principais vítimas são as crianças entre 4 e 10 anos e o ambiente mais propício são os locais sem saneamento básico e com pouca água. O tratamento é considerado simples, bastando o uso de um antibiótico ministrado pelo médico em dose única, e bons hábitos de higiene, com a lavagem do olho com soro fisiológico, repetidas vezes, para que as infecções não retornem durante o tratamento. Se não for tratada, a doença permanece para o resto da vida e depois de uns 20 anos começa a apresentar seqüelas graves, como cicatrizes na conjuntiva da pálpebra superior; crescimento dos cílios superiores para dentro dos olhos e calcificação na córnea, provocando diminuição ou perda da visão.

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