Cidades
OAB do Tocantins apura sumi�o de alagoano
BLEINE OLIVEIRA Todas as pessoas que direta ou indiretamente estiveram com o eletrotécnico alagoano Rosivaldo Bruno de Souza, nos dias que antecederam ao seu desaparecimento no Estado do Tocantins, serão ouvidas pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Tocantins, em audiência pública marcada para o próximo dia 12, na sede daquela entidade, em Palmas, capital do Estado. Funcionário da Secretaria de Educação do Estado do Tocantins, o alagoano Rosivaldo Bruno, de 39 anos, desapareceu quando fiscalizava obras na região de São Félix do Araguaia, na Ilha do Bananal, no dia 18 de setembro. Inconformada com os rumos da investigação sobre o desaparecimento, a família de Rosivaldo procurou a Comissão de Direitos Humanos daquele Estado em busca de ajuda. Ao revelar que convidou oficialmente sete pessoas para que falem sobre os últimos momentos em que estiveram com Rosivaldo, o presidente da Comissão, Messias Geraldo Pontes, disse que da lista fazem parte Eduardo Alves do Nascimento e Cleide Araújo Barbosa, colegas de trabalho que estavam com Rosivaldo Bruno quando ele desapareceu. A dentista Raqueline Bruno de Souza, irmã de Rosivaldo e funcionária da Secretaria da Saúde do Tocantins, disse que o desaparecimento está ligado a denúncias que ele fez de superfaturamento de compras e desvio de dinheiro público. Um dos acusados por Rosivaldo, no relatório de trabalho que encaminhou à Seduc, é Eduardo Alves Nascimento, gerente do escritório da Secretaria no município de São Félix do Araguaia. Nascimento foi uma das últimas pessoas a estar com o alagoano, antes do desaparecimento dele. Os dois, e mais a geóloga Cleide Araújo Barbosa, estavam juntos fazendo fiscalização de obras realizadas pela Secretaria de Educação em aldeias indígenas. No depoimento prestado à Polícia Civil, Eduardo e Cleide afirmaram que o carro em que viajavam, um Fiat Uno, atolara num determinado trecho da mata na Ilha do Bananal, e Rosivaldo Bruno decidira sair em busca de ajuda. Passados 41 dias do desaparecimento, a polícia não conseguiu achar vestígios do funcionário. O superintendente da Polícia Civil, Achiles Gonçalves Ferraz, disse que cerca de 30 homens, inclusive do Exército, rastrearam a área onde Rosivaldo teria desaparecido, mas nada foi encontrado. Com poucas esperanças de encontrar o irmão, familiares de Rosivaldo pediram ajuda à OAB, ao Ministério Público do Tocantins e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Segundo Roniere Bruno de Sousa, irmão do desaparecido, uma decisão ministerial determinou que a Polícia Federal acompanhe as investigações. ?Esse é um caso de grande repercussão. A família está inconformada com os rumos da investigação e nos pediu apoio. Vamos realizar uma audiência pública, na qual serão ouvidos policiais, funcionários que eram colegas de trabalho, e demais pessoas que possam esclarecer fatos envolvendo o desaparecimento?, disse Messias Pontes, vice-presidente da OAB, responsável pela Comissão de Direitos Humanos.