Cidades
In�cio da safra da cana intensifica queimadas
FÁBIA ASSUMPÇÃO Com o início da safra de cana-de-açúcar 2004/2005, o fogo passa a fazer parte da paisagem nas áreas de plantio em Alagoas. Há vários séculos, as queimadas são uma prática em todo o país para limpeza de áreas agrícolas, renovação de pastagens, eliminação de resíduos, pragas e doenças, como técnica de caça e até mesmo como sistema de produção altamente intensificados, como no caso da cana. Os questionamentos sobre o uso deste método, que facilita o corte da cana, sempre foram muitos. Além de causar danos ambientais, as queimadas geram prejuízos para alguns setores como os de energia elétrica e de telecomunicações. Por outro lado, o seu fim significaria o desemprego de milhares de trabalhadores. Só em Alagoas, mais de 50 mil pessoas trabalham no corte da cana. A retirada da cana crua é mais penosa e difícil para os cortadores, diminuindo a produtividade, exigindo assim a contratação de mais pessoas. Por isso para o plantador é mais negócio investir na mecanização. Só uma máquina no campo significa a eliminação de pelo menos 100 empregos, de acordo com especialistas. O coordenador do Sistema de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais em Alagoas (PrevFogo) do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Antônio Seixas, diz que nas últimas safras, dos 488 hectares plantados de cana, 80% foram queimados na hora da colheita.