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Caf�s da manh� no Mercado viram tradi��o

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FERNANDO COELHO Cenário onde se realiza um dos maiores comércios informais da cidade, as ruas localizadas nos arredores do Mercado da Produção apresentam um atrativo especial, bem cedinho, exatamente na hora do desjejum. Trata-se do café da manhã oferecido, há mais de 40 anos, por barracas e lanchonetes instaladas na região do Parque Rio Branco e na antiga Feira do Passarinho. Diariamente, pouco antes das 5 da manhã, elas abrem suas portas para um costume que virou tradição. Com apenas R$ 2,50 é possível fazer uma refeição farta com produtos típicos da culinária nordestina. Para aqueles com maior apetite, a opção é adicionar mais um real e se esbaldar em um mundo de comida. Servidos em porções bem generosas, os cafés não apresentam diferenças significativas no cardápio e, em geral, incluem macaxeira, inhame, batata e cuscuz, acompanhados de carnes variadas, à escolha do freguês: boi, frango, porco, carneiro e carne-de-sol ? guisada ou na chapa. A ceia matinal atrai um público heterogêneo e mistura desde clientes do mercado até comerciantes e trabalhadores da área, além de turistas e gente ?descolada? que encerra a noitada degustando prazerosamente as iguarias regionais. Também não é rara a presença de políticos durante as campanhas eleitorais. ?Eles tomam um cafezinho, cumprimentam os clientes, mas, infelizmente, só vêm com freqüência por aqui quando é época de eleição?, lamenta Maria Dolores, proprietária da lanchonete Las Vegas. As irmãs Rosiane e Ruth Andrade são figurinhas fáceis nos cafés da região do Parque Rio Branco há pelo menos três anos. Sempre juntas, as jovens, de 18 e 17 anos, não dispensam o cuscuz com carne, prato preferido de ambas. ?A gente trabalha aqui perto e, como não dá tempo de comer em casa, optamos pelos cafés das lanchonetes?, diz Rosiane, ao ser flagrada com o prato cheio. ?Mesmo quando estou sem dinheiro, peço ao pessoal até juntar o suficiente?, confidencia, antes de cair na gargalhada. Embora a fidelidade não seja a principal característica da freguesia, alguns clientes vieram para ficar. É o caso do barqueiro Pedro da Silva, morador da Praia do Francês, em Marechal Deodoro e que, há mais de 10 anos, saboreia o café nos dias de compras no Mercado da Produção. ?A comida é boa, fresquinha, feita na hora, por isso eu venho sempre aqui?, comenta. Já as mãos calejadas de Maria Gerusa não escondem seu bom humor e a alegria fácil ao se deleitar em um vistoso prato de sopa com cuscuz e carne-de-sol. Vendedora de feijão-verde, ela trabalha no Mercado da Produção desde 1972 e há 7 anos bate ponto na lanchonete Las Vegas. Para os marinheiros de primeira viagem, Gerusa passa a receita: ?O segredo é tomar uma dose de cachaça antes da sopa?, revela com o sorriso estampado.

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